Perda bilionária na TAM não vai se repetir, diz Bologna

Valor Econômico
22/04/2014 às 05h00

Por João José Oliveira | De São Paulo

O aporte de R$ 3,5 bilhões feito pelo grupo Latam na TAM no ano passado, para cobrir prejuízos somados de R$ 2,84 bilhões em 2012 e 2013, não precisará ser feito novamente, disse ao Valor o presidente da TAM, Antonio Bologna. Segundo ele, esse movimento será desnecessário na medida em que as perdas contábeis bilionárias não voltarão a se repetir e o desempenho operacional será positivo este ano.

“Aproveitamos a janela que tínhamos na fusão para jogar contra o ‘goodwill’ todas as despesas e custos que foram apurados após a operação”, disse Bologna. Ele referiu-se à regulação contábil que permite a empresas que passam por operação de fusão e aquisição, deduzir do valor da compra passivos apurados posteriormente à assinatura do acordo. Tais ajustes têm que ser realizados no prazo de 12 meses após a formalização do contrato.

Bologna observa que a TAM precisa voltar a dar lucro para que o grupo Latam possa melhorar o acesso às fontes de recursos nos mercados de capitais e financeiros. “Temos uma ineficiência de dividendos”, afirma.

No ano passado, a Latam – dona da brasileira TAM e da chilena LAN – captou mais de US$ 1,5 bilhão nos mercados de Nova York e do Chile, com emissão de ações e de recibos. A maior parte dos recursos foi usada para cobrir os buracos contábeis abertos pelos R$ 2,8 bilhões de prejuízos que a TAM apurou em 2012 e 2013.

“Uma das sinergias que a fusão [com a LAN] nos trouxe foi exatamente a de captar a custos mais baixos”, diz Bologna. “Como a Latam tem o balanço em dólar e tem uma classificação de risco melhor, é o veículo mais adequado para captar”.

Bologna conta que a TAM teria recorrido ao mercado de capitais para cobrir prejuízos de 2012 e 2013 caso não houvesse a Latam. “Seria o caminho natural, modelo que outras já fizeram, como Lufthansa”, afirmou.

Ele lembra que a decisão de abrir o capital da Multiplus – empresa de coalizão que levantou R$ 723 milhões em fevereiro de 2010 – já mostrava um caminho de acessar o mercado de capitais para capitalizar a aérea. “Falava-se também na TAM Viagens, na TAM Cargo, na MRO [unidade de manutenção da TAM], no follow-on [nova venda de ações] da Multiplus”, disse referindo-se às alternativas que a TAM tinha para capitalizar-se. “Mas a fusão com a LAN apareceu como melhor alternativa”, disse o executivo, apontando que a classificação de risco do Chile e da própria LAN eram melhores que a do Brasil e da TAM, respectivamente.

A linha de raciocínio do presidente da TAM S.A. encontra eco na tentativa feita pela Multiplus, ano passado, de fazer uma nova oferta de ações. A operação que chegou a ser anunciada no primeiro semestre, acabou sendo cancelada após piora dos mercados acionários e da própria reação negativa de agentes de mercado.

A possibilidade de usar a própria TAM como veículo de captação de recursos está descartada, aponta o presidente da TAM, Antonio Bologna. “Nas condições de hoje, uma aérea brasileira captar em bolsa não tem como”, afirma. “Já a Latam pode fazer isso”, disse.

Com os ajustes financeiros e contábeis feitos pela Latam e TAM desde 2012, o grupo vem reduzindo a exposição cambial. O descasamento – entre as ativos em moedas locais e passivos em moeda estrangeira – caiu de US$ 4 bilhões em 2012 para US$ 2 bilhões no fim de 2013. “Com os movimentos que estamos fazendo, podemos fechar 2014 abaixo de 1 [bilhão de dólares”], afirmou Bologna.

A TAM também mantém a política de hedge, protegendo o passivo em moeda estrangeira pelos próximos três trimestres. A maior parte dos contratos, 60%, está voltada para os vencimentos entre abril e junho. Outros 25% de vencimentos estão protegidos por contratos de derivativos para julho a setembro.

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