Greve em Cumbica atrasa entrega de malas em até 3h

Estado de S.Paulo
Quinta-feira, 8 de maio de 2014

Paralisação de carregadores afetou operações e 73 voos da Gol chegaram e partiram fora do horário; audiência será hoje no TRT
Mônica Reolom

alex silva/estadão
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Auxílio. Funcionários da Gol foram deslocados da função para retirar malas das esteiras

A greve dos funcionários da Swissport, empresa responsável por transportar malas de aviões até esteiras nas salas de desembarque, afetou ontem as operações do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. Passageiros esperaram até três horas para retirar bagagens e, até as 23h, 73 voos da Gol atrasaram. A concessionária GRU Airport não informou ontem o índice de decolagens e pousos fora do horário.

A paralisação começou a 0h de ontem e foi encerrada, de acordo com o Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos (Sindgru), por volta das 19h. Os funcionários da Swissport cruzaram os braços contra a proposta de uma nova jornada de trabalho, que passaria de seis para oito horas diárias. Hoje, será realizada audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

O desembarque internacional no Terminal 2 foi um dos mais afetados pela falta de funcionários para retirar bagagens e colocá-las nas esteiras.

Edinei Rodrigues, de 39 anos, motorista de uma locadora, aguardava turistas que vinham de Lima e haviam pousado às 15h30. Às 18h30, eles ainda não tinham saído da área de desembarque. “Geralmente, aguardo 40 minutos, no máximo. Hoje, estou aqui há três horas, e o painel informa que o avião já pousou”, afirmou.

O aposentado português Sérgio Gelanga, de 63 anos, disse que esperava a mulher, que vinha de Lisboa, desde as 16h25. “Tentei falar com o supervisor da TAP e me disseram que o problema não era deles”, afirmou Gelanga. Ele também se queixou pelo fato de o voo ter desaparecido do painel de informações. Até as 19h, o aposentado não havia encontrado a mulher.

O casal Marco Antônio Pereira Cardoso, de 60 anos, e Regina Cardoso, de 56, chegou de Montevidéu às 16h30, mas só as 18h30 eles conseguiram deixar a área de desembarque. “O voo atrasou apenas 15 minutos no Uruguai, mas demoramos para sair do avião aqui e esperamos mais de uma hora pelas malas”, reclamou Regina. Eles tiveram de correr para não perder uma conexão.

Reivindicação. O Sindgru informou que 1,2 mil funcionários da Swissport participaram da greve de ontem e, segundo a empresa, cerca de 40% dos trabalhadores mantiveram as atividades. A Swissport é uma empresa terceirizada e presta serviços para companhias aéreas, como a Gol. A TAM, por sua vez, tem funcionários próprios para realizar o serviço.

A Gol foi umas das empresas mais afetadas pela greve. A companhia informou que teve de reforçar o número de colaboradores próprios por turno para dar fluxo à retirada de bagagens das aeronaves. Na área de desembarque doméstico, era possível ver funcionários com o uniforme da Gol colocando malas nas esteiras.

A GRU Airport, em nota, informou que manteve contato com as companhias para “auxiliar no plano de ação e minimizar os impactos na restituição de bagagens”, sem dar detalhes sobre as medidas adotadas.

Disputa. O presidente do Sindgru, Orisson Mello, disse que, após quatro horas de negociação, houve um acordo com a Swissport para suspender a paralisação, mas, até as 23h, havia reflexos nas operações do aeroporto. “A empresa voltou atrás e vai manter as seis horas por dia”, afirmou. A Swissport, no entanto, informou que as decisões sobre o impasse serão tomadas na audiência no TRT.

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