Aeroportos se modernizam e modal aéreo pode ter sua chance

Valor Econômico
27/05/2014 às 05h00

Por Felipe Datt | Para o Valor, de São Paulo

A TAM Cargo já tirou do papel um plano de investimentos de R$ 45 milhões para a construção e modernização de uma série de terminais próprios espalhados pelo país. O projeto teve início em novembro de 2013, com a conclusão do novo terminal em Manaus. Com 13 mil m2, sendo 5 mil m2 de área útil, é o maior da empresa no Brasil. Em fevereiro deste ano, foi a vez da inauguração do terminal de Goiânia. Os próximos são Cumbica (SP), que receberá aportes de R$ 20 milhões, e Brasília.

Na mesma linha do braço de cargas da TAM, a estatal Infraero, que administra 31 Terminais de Logística de Cargas (Teca), prevê em seu plano de investimentos para o quadriênio 2014/2018 a soma de R$ 426 milhões para obras de construção, reforma e ampliação dos complexos, aquisição de equipamentos e novos sistemas de segurança, explica o superintendente de Logística de Carga da estatal, Francisco Xavier da Silva Nunes.

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A Aeroportos Brasil Viracopos, concessionária que assumiu o aeroporto internacional de Campinas em 2012, desembolsou R$ 30 milhões em 2013 e prevê gastos similares este ano na modernização e em sistemas de gestão de armazenamento e movimentação de carga.

Os exemplos acima apontam para uma corrida para modernizar e ampliar a infraestrutura do transporte aéreo de cargas no Brasil. Um modal que, até hoje, não passa de um traço nas estatísticas das principais matrizes de transporte, mas que se prepara para um aquecimento na demanda. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), foram 362,4 mil toneladas embarcadas no mercado doméstico em 2013, alta de 3,6% sobre o ano anterior. Os números mostram o que foi transportado nos porões dos voos de passageiros e não incluem os cargueiros.

Um levantamento da Abear, a associação nacional das empresas aéreas, mostra que o frete aéreo respondeu por 10,7% do comércio externo brasileiro em 2012 (em valores) e 0,2% do peso transportado. No mercado interno, a 0,4% do peso total. “A IATA estima que, em 10 ou 15 anos, a quantidade de carga transportada no modal vai duplicar. Independente do atual momento do mercado, será necessária uma infraestrutura melhor e tecnologia mais eficiente para acompanhar o crescimento da demanda quando o ciclo negativo da economia mundial acabar”, diz o diretor-executivo da TAM Cargo, Pablo Navarrete. No ano passado, a empresa transportou 170,4 mil toneladas no mercado doméstico, alta de 7% sobre o ano anterior.

A característica das cargas transportadas nos porões das aeronaves e nos cargueiros é de itens de altíssimo valor agregado (de helicópteros a peças de aeronaves), eletrônicos (aparelhos celulares, televisores), autopeças, produtos farmacêuticos (remédios e vacinas), itens perecíveis e até animais vivos. No caso do Brasil, embarcadores levam em conta dois fatores no momento de escolher esse modal: custo do frete e distância. Para os players do setor, quanto maior a distância a ser percorrida no país, maior é a competitividade do avião sobre o caminhão – a “linha de corte” da competitividade é 800 quilômetros. Mas a velocidade com que a mercadoria será entregue ao destinatário pesa cada vez mais na decisão do embarcador. Na TAM Cargo, 25% das receitas vem do segmento de e-commerce.

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