Carga responde por 70% das operações em Viracopos

Valor Econômico
10/08/2015 às 05h00

Por Marcus Lopes | Para o Valor, de São Paulo

Marcelo Mota: crescimento do aeroporto justifica a pressa em investir

Marcelo Mota: crescimento do aeroporto justifica a pressa em investir

Principal porta de entrada do país para ca1’ga importadas via aérea, o Aeroporto Internacional de Viracopos passa por grandes transformações desde que foi entregue para ser administrado pela iniciativa privada, em 2012. Dos R$ 9,5 bilhões previstos para serem investidos ao longo de 30 anos, praticamente um terço – R$ 3 bilhões – já foram gastos pela concessionária para melhorar a infraestrutura de todo o complexo aeroportuário em Campinas (SP).

“Quando criamos condições para o desenvolvimento do aeroporto, o negócio cresce. Isso justifica a nossa pressa em investir”, afirma o diretor de operações de Viracopos, Marcelo Mota. Ele cita como exemplo as câmaras refrigeradas para o armazenamento de cargas frias. Há três anos, elas tinham oito mil metros cúbicos de capacidade. Após um processo de ampliação, o espaço foi aumentado para 21 mil metros cúbicos. “Um mês após a inauguração das novas instalações elas estavam todas lotadas”, diz Mota, referindo-se à demanda reprimida por parte das empresas que utilizam o terminal.

Inaugurado em 1960, Viracopos foi incluído na primeira leva de concessões de aeroportos para serem administrados pela iniciativa privada, O contrato de concessão é de 30 anos e foi arrematado pela Aeroportos Brasil Viracopos, consórcio liderado pela UTC e Triunfo.

Desde então, uma série de obras aumentou a competitividade do local, tanto em transporte de cargas quanto de passageiros. Apenas no primeiro semestre de 2015 foram transportados 5,1 milhões de passageiros – 8,73% a mais do que no mesmo período do ano passado. A meta é atingir mais de 10 milhões de pessoas embarcadas até o final do ano, superando os 9,8 milhões transportados em 2014.

Pesquisa divulgada pelo Serviço de Aviação Civil (SAC) em abril deste ano apontou Viracopos como o aeroporto mais bem avaliado do país pelos passageiros. O resultado é reflexo direto da construção do novo terminal de passageiros, inaugurado em dezembro de 2014 e com capacidade para receber até 25 milhões de passageiros/ano. Com o novo terminal, o número de voos internacionais subiu de três para 40 por semana.

O setor de cargas ainda responde por 70% das operações de Viracopos, onde são movimentadas cerca de 450 mil toneladas de mercadorias por ano. Do total, 95% são produtos importados em um leque que abrange de remédios a equipamentos eletrônicos. “Nossa localização é estratégica em termos de logística, o que confirma nossa vocação para cargas”, diz Mota, citando os polos industriais e de serviços das regiões metropolitanas de Campinas e São Paulo. Segundo ele, o volume de cargas que passam pelo terminal deve triplicar até 2042.

15-08-10-veco-01Isso não significa, porém, que o setor de cargas terá um peso maior do que o de passageiros, como ocorre hoje. A proposta, segundo a concessionária, é que todos os setores ligados ao complexo aeroportuário – cargas, passageiros e varejo (lojas, hotéis, escritórios etc) – tenham o mesmo tamanho no negócio (33% cada um). Com isso, a meta em alguns anos é tornar-se o maior aeroporto da América Latina.

As empresas que utilizam o terminal estão otimistas com as perspectivas. “Viracopos ainda nos permite ampliar nossas operações, tanto doméstica quanto internacional. Congonhas e Guarulhos, por exemplo, não permitem”, diz Gianfranco Beting, diretor de comunicação da Azul Linhas Aéreas.

A empresa foi a primeira a apostar no potencial do aeroporto, que hoje responde por 20% das 850 decolagens diárias da empresa. “Quando a companhia foi fundada, em 2008, era o aeroporto com maior capacidade para a Azul crescer. Além disso, seu potencial era enorme, pois está localizado em uma região com forte atividade econômica, além da proximidade com São Paulo. A região de Campinas, por exemplo, tem um PIB comparado ao do Chile”, completa Beting.

Além da localização estratégica e dos investimentos realizados, Viracopos possui vantagens em relação ao clima. “Enquanto os aeroportos de São Paulo fecham muito por causa do nevoeiro, as condições meteorológicas de Viracopos são excepcionais”, diz o diretor de segurança e operação de voos da Associação Brasileira das Empresas Aéreas Abear), Ronaldo Jenkins. Segundo ele, porém, há problemas que ainda devem ser superados, como o fato de haver apenas uma pista para pousos e de colagens.

“Se acontece alguma coisa com uma aeronave, todas as outras operações são comprometidas”, afirma Jenkins. A segunda pista está prevista para ser construída apenas a partir de 2019. Para evitar interdição por problemas técnicos, o setor de operações dispõe de equipamentos para a retirada imediata da aeronave da pista.

Outro desafio são os gargalos de mobilidade. Apesar da boa ligação com a capital paulista através das Rodovias Bandeirantes e Anhanguera, o aumento da demanda preocupa as autoridades aeroportuárias. “Temos as melhores rodovias do Brasil, mas elas não são suficientes. Por isso trabalhamos junto com o governo do Estado de São Paulo e federal para a construção de uma ligação ferroviária com a capital”, diz Mota.

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