Azul vai cortar expansão de capacidade pela metade

18/08/2015 às 05h00

Por João José Oliveira | De São Paulo

Antonoaldo Neves, presidente da Azul: “Nosso cenário ainda é de incerteza”

Antonoaldo Neves, presidente da Azul: “Nosso cenário ainda é de incerteza”

As companhias aéreas brasileiras desistiram de enfrentar a crise econômica usando apenas promoções de preços. Gol e TAM já disseram que vão cortar a oferta de assentos no segundo semestre para conter custos e atenuar prejuízos. E a Azul vai podar pela metade a meta de crescimento que havia planejado para a disponibilidade de assentos. As três empresas respondem por 90% dos voos domésticos no país.

Gol e TAM prometem cortar de 2% a 4% da capacidade nos aviões entre julho e dezembro deste ano ante 2014. “Nosso plano original era crescer de 10% a 12% este ano. Agora, a oferta vai subir entre 4% e 8%”, disse o presidente da Azul, Antonoaldo Neves, dono de 17% do mercado doméstico.

Neves disse que o desempenho da empresa em julho foi bom, mas que isso deve ser ponderado. “Julho é normalmente o melhor mês do ano. Estamos em compasso de espera. Não posso afirmar se atingimos o fundo do poço ou não. Nosso cenário ainda é de incerteza, especialmente na dimensão de custo”, afirmou o presidente da Azul.

“A decisão de revisar nosso plano e cortar capacidade mostra o quanto a economia impactou todos os lados de nossa operação”, disse a presidente da TAM, Claudia Sender, referindo-se à revisão de planos para o Brasil. Antes, a ideia era manter a oferta estável.

Com menor disponibilidade de assentos, a Latam, dona da TAM, rebaixou a meta de lucro operacional. Em vez de um ganho entre 6% e 8% de lucro antes de juros e impostos (margem Ebit), o alvo caiu para um percentual de 3,5% a 5%.

A Gol até manteve a meta de margem de lucro operacional entre 2% e 5% em 2015. Mas avisou que pode reduzir esse objetivo. Para o presidente da companhia, Paulo Kakinoff, a economia no segundo trimestre foi a mais adversa que a Gol enfrentou desde que foi criada, em 2001.

Para não perder clientela, Gol e TAM aumentaram as promoções. Mantiveram as taxas de ocupação em torno de 78%. Mas para isso, aceitaram receber cerca de 12% a menos, em média, por cada passageiro embarcado por assento disponibilizado. A Azul, que não revela dados de balanço, também praticou tarifas mais baixas. “A promoção ajudou muito a fomentar a demanda”, disse Antonoaldo.

As aéreas esperam que a oferta mais enxuta ajude a segurar custos e a preservar a rentabilidade. “Isso é possível, com o petróleo nesses patamares e com a retomada da demanda”, disse o presidente da Gol, ressaltando que a recuperação não será rápida. “Será uma recuperação lenta”, disse Kakinoff.

A TAM vai fazer um esforço para manter o plano de investimento no Brasil para o biênio, disse Claudia Sender, da TAM, referindo-se ao plano para 2015/20 16, estimado em R$ 13 bilhões. “O plano de investimento para Brasil não muda”, disse. O programa inclui renovação de frota e um novo hub em um aeroporto da região Nordeste.

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