Gol: Resultado atribuído aos acionistas no trimestre supera expectativa

O lucro de R$ 252,5 milhões atribuído aos acionistas da Gol no segundo trimestre de 2016 superou as expectativas das instituições financeiras consultadas pelo Broadcast. A média das projeções de cinco casas (Itaú BBA, JPMorgan, Morgan Stanley, Santander e BTG Pactual) apontava para um prejuízo aos controladores de R$ 45,8 milhões. As estimativas oscilavam entre um prejuízo de R$ 248,2 milhões e um lucro de R$ 297 milhões.

A receita líquida apurada pela empresa no trimestre, de R$ 2,088 bilhões, ficou em linha com a média das expectativas de quatro casas (Itaú BBA, JPMorgan, Morgan Stanley e BTG Pactual), que apontava para R$ 2,058 bilhões de receita no período.

Já o Ebtidar (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização mais despesas operacionais de arrendamento de aeronaves) registrado entre abril e junho deste ano, de R$ 225,3 milhões, ficou 27,1% abaixo da média das projeções de três casas (Itaú BBA, JPMorgan e Morgan Stanley), de R$ 309,2 milhões no trimestre.

O Broadcast considera que o resultado está em linha com as projeções quando a variação para cima ou para baixo é de até 5%. (Victor Aguiar – victor.aguiar@estadao.com)

Apreciação cambial

A valorização do real ante o dólar ao longo do segundo trimestre de 2016 foi determinante para que a Gol encerrasse o período com um lucro líquido de R$ 309,5 milhões, o segundo trimestre consecutivo de lucros da empresa. No mesmo período de 2015, a companhia registrou prejuízo de R$ 354,9 milhões.

Em seu release de resultados, a Gol informa que a apreciação cambial de 9,8% ante o fechamento do primeiro trimestre de 2016 gerou um ganho contábil de R$ 778,8 milhões. No entanto, destaca que essa variação não gera efeito caixa imediato.

Com a influência do câmbio, a Gol registrou um resultado financeiro líquido de R$ 543,1 milhões entre abril e junho. Há um ano, o resultado financeiro foi de R$ 16,5 milhões. Além da variação cambial líquida, a empresa também destaca que as despesas com juros recuaram 3,9% na base anual, totalizando R$ 178,5 milhões.

Os resultados da Gol são especialmente sensíveis às variações cambiais, uma vez que cerca de 50% das despesas operacionais e 84% da dívida da companhia são denominadas na moeda norte-americana, enquanto apenas 10% das receitas são em dólar.

O guidance para a faixa de câmbio média no ano é de R$ 3,90 a R$ 3,50 por dólar, sendo que o valor registrado no primeiro semestre pela companhia aérea foi de R$ 3,70. O preço de combustível aviação foi estimado em R$ 2,30 até R$ 1,90, ao passo que o dado do primeiro semestre foi de R$ 1,94.

A Gol tem trabalhado para reduzir sua oferta de voos e redesenhar sua malha aérea, de modo a aumentar sua eficiência operacional e adequar-se ao cenário de fraca demanda aérea no Brasil.

A capacidade da Gol, mensurada por ASK (assentos-quilômetro oferecidos) nos mercados brasileiro e internacional teve uma queda de 8,9% e de 12,2% no segundo trimestre de 2016, respectivamente, resultando em uma redução do sistema total em 9,3% quando comparado ao mesmo período de 2015. No mesmo período, a demanda por assentos no mercado doméstico, mensurada por RPK (passageiros-quilômetro transportados), recuou 11,2% e, no internacional, 10,6%. No sistema total, a redução foi de 11,2%.

Custos e despesas operacionais

Os custos e despesas operacionais da Gol no segundo trimestre totalizaram R$ 2,261 bilhões, uma queda de 5% em relação aos R$ 2,381 bilhões registrados entre abril e junho do ano passado. Já as despesas operacionais ajustadas, que excluem os resultados não recorrentes com o retorno de aeronaves em arrendamento financeiro e operações de sale-leaseback, somaram R$ 2,239 bilhões, um recuo de 6,4% em um ano.

Excluindo a linha de combustível, as despesas totalizaram R$ 1,669 bilhão no trimestre, alta de 7% na base anual. As despesas operacionais ex-combustível ajustadas, por sua vez, totalizaram R$ 1,647 bilhão, um crescimento de 5% em um ano.

A despesa por ASK (CASK, ou custo operacional por assento disponível por quilômetro) foi de 21 centavos de real no segundo trimestre de 2016, uma alta de 4,7% em relação ao mesmo período de 2015. O CASK excluindo despesas com combustível (CASK ex-combustível) entre abril e junho desse ano foi de 15,50 centavos de real, alta de 18% na base anual.

A Gol destaca que o aumento do CASK foi impactado pela redução do ASK em 9,3%. O CASK ajustado, por sua vez, foi de 20,80 centavos de real no segundo trimestre de 2016, avanço de 3,2% na comparação anual, enquanto o CASK ex-combustível ajustado somou 15,30 centavos de real, alta de 15,7% em um ano.

Yield e PRASK

O yield líquido, isto é, o valor médio pago por um passageiro para voar um quilômetro, ficou em 22,12 centavos de real no segundo trimestre deste ano, uma alta de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já o PRASK líquido, ou seja, a receita de passageiros dividida pelo total de assentos-quilômetro disponíveis, ficou em 16,64 centavos de real, alta de 6,9% na base anual.

Receita

A receita operacional líquida totalizou R$ 2,088 bilhões no primeiro trimestre de 2016, queda de 2% ante o mesmo intervalo de 2015. Deste total, R$ 1,791 bilhão foi obtido com transporte de passageiros, cifra 3% menor na base anual, enquanto outros R$ 297,8 milhões foram contabilizados via transporte de cargas e outros, número 4,8% maior em relação ao segundo trimestre de 2015.

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