Acidentes Aéreos e sua Importância no Desenvolvimento da Aviação

Acidentes Aéreos que mudaram a aviação

Viagens em aeronaves comerciais são extraordinariamente seguras. Imaginem o seguinte: entre 2010 e 2017 não houve nenhum acidente fatal envolvendo aeronaves comerciais nos Estados Unidos. Parece pouco? Considere que todos os dias ocorre uma média de 30 mil decolagens e pousos. Impressionante? Sim. Nesse sentido, saberia dizer como foi atingida tamanha segurança operacional? Em parte, por conta de acidentes antigos que acionaram medidas cruciais de segurança. Nesse post vamos contar sobre algumas delas.

Voo 191 da Delta Airlines

Uma aeronave Lockheed L-1011 em aproximação para pouso em Dallas, aeroporto Fort Worth, se depara com uma tempestade à espreita perto da pista. Relâmpagos e raios próximos à aeronave a 800 pés de altitude, e uma cortante de vento (microburst wind shear)  encontra a aeronave – uma forte corrente de vento descendente faz o avião perder 54 nós de velocidade aerodinâmica em alguns segundos. Em grande razão de descida, o L-1011 atinge o solo cerca de uma milha antes da pista. Em seguida atravessa a rodovia, atingindo um veículo e matando seu ocupante. A aeronave então virou para a esquerda e atingiu dois enormes tanques de água do aeroporto.

Em síntese, 134 das 163 pessoas à bordo morreram. O acidente desencadeou um esforço de pesquisa da NASA/FAA  que durou sete anos, e levou diretamente aos detectores de cortantes de vento à bordo. Por fim esses equipamentos se tornaram padrão em todas as linhas aéreas em meados dos anos noventa. Acidentes relacionados à cortantes de vento só se repetiram uma única vez depois dessas mudanças.

 

 

Voos da United Airlines Flight 718 e TWA Flight 2

O ano é 1956, 30 de Junho. Local: Grand Canyon, Estados Unidos. Um Douglas DC-7 da United Airlines, voo 718, colidiu em pleno ar com um Lockheed Constellation da TWA, voo 2, sobre o Grand Canyon.

O acidente fez com que fossem gastos U$250 milhões em atualizações no sistema de controle de tráfego aéreo (ATC), uma quantidade de dinheiro significativamente grande naquela época. Funcionou, pois não existe nenhum registro de acidente de colisão entre aeronaves de linhas comerciais nos Estados Unidos em 47 anos.

Ademais, outro resultado do acidente foi a criação da Agência Federal de Aviação, hoje conhecida como Administração Federal de Aviação (Federal Aviation Administration – FAA).

Mais tarde, outras melhorias seriam implementadas depois que um pequeno avião particular invadiu a área de controle do terminal de Los Angeles em 31 de agosto de 1986, atingindo um Aeromexico DC-9 e matando 86 pessoas. O FAA posteriormente solicitou que pequenas aeronaves que entrassem nas áreas de controle usassem transponders – dispositivos eletrônicos que transmitem posição e altitude para os controladores.

Além disso, os aeronaves comerciais eram obrigadas a ter sistemas de prevenção de colisão TCAS II (Traffic collision avoidance system). Esses equipamentos que detectam colisões em potencial com outras aeronaves equipadas com transponder e aconselham os pilotos a subir ou mergulhar em resposta. Surpreendentemente acidentes envolvendo aviões pequenos e aviões comerciais não se repetiram nos Estados Unidos.

 

Voo 797 da Air Canada Flight

Os primeiros sinais de problemas no voo 797 da Air Canada foram os fragmentos de fumaça saindo do lavatório traseiro. Logo, uma fumaça preta começou a encher a cabine e o avião começou uma descida de emergência. Mal conseguindo ver o painel de instrumentos por causa da fumaça, o piloto pousou o avião em Cincinnati. Tão logo as saídas de emergência foram abertas, a cabine entrou em chamas antes que todos pudessem sair. Das 46 pessoas a bordo, 23 morreram.

Como resultado o FAA determinou que os lavatórios das aeronaves fossem equipados com detectores de fumaça e extintores de incêndio automáticos. Dentro de cinco anos, todos os jatos foram adaptados com camadas de bloqueio de fogo nas almofadas do assento. Luzes indicativas no piso foram instaladas para levar os passageiros a saídas em fumaça densa. Dessa maneira aviões construídos depois de 1988 têm ainda mais materiais utilizados em seus interiores que são resistentes a chamas.

 

Voo 370 da Malaysia Airlines

 

Nenhum sinal de “May Day” ou sinal de problemas foi detectado quando o voo 370 da Malaysia Airlines. Um 777 transportando 239 pessoas de Kuala Lumpur para Pequim, desapareceu do radar em 8 de março de 2014. Por certo, mais de quatro anos depois, ainda é um mistério. A maior pergunta: por que os transponders aparentemente foram desativados, tornando o jato quase invisível?  A aeronave mudou de rumo para o sul, onde se acredita que ela voou por até sete horas no piloto automático antes de ficar sem combustível e cair no Oceano Índico.

É provável que o mundo ainda não estaria procurando a aeronave se a mesma tivesse sido equipada com rastreamento em tempo real. Essa demanda vem sendo exigida por especialistas em segurança desde o voo 447 da Air France.

Como resultado do MH370, a Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO) ordenou que todas as companhias aéreas instalem equipamentos de rastreamento em sua aeronaves, especialmente aqueles que voam sobre o oceano. Fabricantes de aeronaves também estão desenvolvendo caixas pretas que seriam ejetadas e flutuariam automaticamente quando um avião atingisse a água.

 

 

Recomendo a leitura do relatório sobre o incidente, emitido pela ATSB (Australian Transport Safety Bureau).

Esses foram só alguns exemplos. Todos os dias pequenas falhas são corrigidas e novas soluções colocadas em uso. Em outras palavras, voos em aeronaves comerciais ainda são o meio de transporte coletivo mais seguro.

Em caso de aeronaves menores, você sabia que acidentes podem ser evitados com o uso de paraquedas balístico?

 

Obrigado e até a próxima!

 

Sergio Duarte
Co-Fundador do Portal Engenharia Aeronáutica
Engenheiro de Soluções na Jazz Engenharia Aeronáutica Ltda.

Fonte: https://engenhariaaeronautica.com.br/acidentes-aereos/

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