Uma favela construída sobre a história da aviação brasileira

O Globo
Quinta-feira 10.4.2014

OS ASES DE MANGUINHOS
Antes de receber a Vila do João, área foi ocupada por aeródromo queformou os primeiros pilotos do país

ARQUIVO
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Escola.Aeródromo de Manguinhos, no coração da Maré, formou as primeiras
gerações de aviadores brasileiros

No coração do Complexo da Maré já houve hangares, pistas, torre de controle e até um hotel. Era o Aeroclube do Brasil, inaugurado em 1936 ao lado da Avenida Brasil e em frente à Fundação Oswaldo Cruz. Hoje a área é ocupada pela Vila do João, que faz parte do complexo de favelas ocupado desde o último fim de semana pelas Forças Armadas. Criado com o apoio de Getúlio Vargas, o aeródromo de Manguinhos formou as primeiras gerações de pilotos do país. Inaugurado em 1911, teve como sócio-fundador e primeiro presidente de honra o aviador Alberto Santos Dumont.

Na edição de 29 de março de 1934, uma reportagem do GLOBO anunciava que um decreto do presidente Getúlio Vargas destinava recursos para as obras de construção do aeroporto. Em setembro de 1936, outra reportagem informava que a Escola Brasileira de Aviação Civil seria apresentada no domingo seguinte em Manguinhos.

Durante mais de quatro décadas, o campo de pouso foi usado como aeroporto. Em dezembro de 1959, no entanto, um avião da Vasp se chocou com uma aeronave de treinamento da FAB perto do aeródromo e deixou mais de 40 mortos. Os destroços dos aviões caíram sobre seis casas no bairro de Ramos, matando também moradores. A tragédia chamou atenção para os riscos do tráfego aéreo em Manguinhos interferir em voos dos aeroportos do Galeão e Santos Dumont.

Na década de 1960, o aeroclube foi transferido para o Aeroporto de Jacarepaguá, na Barra da Tijuca. Em 1982, na área do antigo aeroporto, o governo federal construiu 1.500 casas para pessoas que moravam em palafitas da favela da Maré. O nome do novo bairro foi uma homenagem ao então presidente da República, o general João Figueiredo (1979-1985). ● 


O Globo
08/04/14 – 16h 53min

Complexo da Maré já teve aeroporto, inaugurado na década de 1930
Aeródromo de Manguinhos funcionou durante décadas em área próxima ao Instituto Oswaldo Cruz, que foi instalado no ano de 1900 numa bucólica fazenda da Zona Norte do Rio

No coração do Complexo da Maré, havia hangares, pistas, torre de controle e até um hotel para os seus frequentadores. Era o Aeroporto de Manguinhos, inaugurado em 1936 e que ficava ao lado da Avenida Brasil, em frente ao Instituto Oswaldo Cruz. Este, por sua vez, fora instalado, a partir de 1900, na bucólica Fazenda de Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Hoje a área do Aeroporto de Manguinhos é ocupada pela Vila do João, que faz parte do Complexo da Maré, ocupado desde o último fim de semana por militares das Forças Armadas. Criado com o apoio do governo de Getúlio Vargas, incentivador da aviação brasileira, o Aeródromo de Manguinhos, oficialmente Aeroclube do Brasil, formou as primeiras gerações de pilotos do país. Criado em 1911, o aeroclube teve como primeiro presidente de honra e sócio-fundador o aviador Alberto Santos Dumont. Na década de 1960, o aeroclube se transferiu para o Aeroporto de Jacarepaguá, na Barra da Tijuca.

Na edição de 29 de março de 1934, o jornal O GLOBO publicou reportagem com o título “Azas! Para o novo campo Aero Club do Brasil”. Anunciava que decreto do presidente Vargas destina recursos para as obras de construção do aeroporto nos “terrenos da baixada de Manguinhos”. Nas comemorações da Semana da Asa em 1935, o jornal noticiava o “desfile aéreo sob o céu de Manguinhos”, com a participação de aviadores do Exército e da Marinha. Em setembro de 1936, uma sexta-feira, publicou outra reportagem com o título “Manhã de aviação em Manguinhos”. Informava que no domingo seguinte, no Campo de Manguinhos, seria apresentada a Escola Brasileira de Aviação Civil e realizada a prova de “brevet” da sua primeira turma de pilotos.

Durante mais de quatro décadas, o campo de pouso de Manguinhos foi usado como aeroporto. Em dezembro de 1959, nas proximidades do aeroporto, um avião da Vasp se chocou com um a aeronave de treinamento da FAB e deixou mais de 40 mortos. Os destroços dos aviões caíram sobre seis casas no bairro de Ramos, matando também moradores. A tragédia, a maior da aviação brasileira na época, criou dúvidas sobre os riscos do tráfego aéreo em Manguinhos interferir em vôos dos aeroportos do Galeão e Santos Dumont.

Após o fechamento do Aeroporto de Manguinhos no início dos anos 70, seus hangares e torre de controle foram demolidos. Em 1982, na área do antigo aeroporto, o governo federal construiu 1.500 casas para pessoas que moravam em palafitas da favela da Maré. O novo bairro, batizado de Vila do João — em homenagem ao então presidente da República, o general João Figueiredo (1979-1985) —, fica próximo à Ilha do Pinheiro, ligada ao continente através de aterros.

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Aeroclube. Avião decola no antigo Aeroporto de Manguinhos, próximo ao
Instituto Oswaldo Cruz, ao lado da Avenida Brasil

NA WEB
Veja o que diziam as reportagens dos anos 30 sobre o aeródromo de Manguinhos
Leia mais sobre esse assunto em
ACERVO O GLOBO

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