Azul voará de Airbus para os EUA

O Estado de S.Paulo
QUINTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2014

Companhia aérea pretende iniciar a operação internacional em 2015 e prevê compra de 11 aeronaves, em investimento de US$ 2 bi
Bruna Mozer / CAMPINAS
ESPECIAL PARA O ESTADO

A Azul Linhas Aéreas anunciou ontem que fará voos internacionais a partir do aeroporto de Viracopos, em Campinas, para três destinos: Miami, Orlando e Nova York. A previsão é que o serviço comece parcialmente a partir do primeiro trimestre do ano que vem. Hoje, apenas a companhia aérea portuguesa TAP faz voos internacionais a partir do aeroporto de Viracopos.

Com o anúncio, a Azul, que detém participação de mercado de 16,8% nos voos domésticos, inicia competição com aéreas brasileiras e estrangeiras para voos internacionais. Segundo o fundador da empresa, David Neeleman, uma das estratégias da Azul será oferecer tarifas mais atrativas e programas de descontos aos clientes.

O Estado antecipou em reportagem no dia 30 de janeiro que a Azul estava se preparando para voar para os Estados Unidos e que já negociava a compra de aviões maiores.

A empresa prevê receber 11 aviões da europeia Airbus para operar os voos internacionais. Os primeiros seis Airbus A330-200 serão entregues ainda no primeiro semestre deste ano, com capacidade para levar 250 passageiros.

A empresa também vai encomendar outros cinco Airbus A350-900, com entrega prevista para 2017 e configurados para levar 300 pessoas. Ao todo, o investimento estimado da Azul nos aviões da Airbus é estimado em US$ 2 bilhões, segundo o preço de tabela das aeronaves, sem considerar descontos.

Todas as aeronaves receberão investimentos de US$ 6 milhões a US$ 8 milhões cada uma para que sejam reformadas e adaptadas ao padrão das que existem hoje na companhia. A Azul vai operar três classes de serviços nos voos internacionais – econômica, executiva e primeira classe.

Oito das aeronaves serão arrendadas pela Azul com a empresa de leasing ILFC (International Lease Finance Corporation). A empresa ainda não definiu como vai adquirir as demais aeronaves.

Segundo o presidente da Azul, Antonoaldo Neves, a opção pela locação das aeronaves é uma forma de acelerar a entrega dos aviões e iniciar a operação rapidamente. Se tivesse feito a encomenda direto à fabricante, a Azul só conseguiria receber os aviões em 2020.

A Azul já recorreu a fórmula semelhante quando iniciou a operação de voos regionais, em março de 2011. Na ocasião, a empresa anunciou a compra de 40 aviões turboélice da francesa ATR e a locação de três modelos para entrega imediata.

A entrada no mercado internacional não representa um passo atrás na estratégia da Azul de avançar no mercado de aviação regional, diz Neves.“Nãoéuma mudança de estratégia, apenas uma evolução de negócio.”

Destinos. A Azul ainda está negociando com as autoridades americanas para definir quais destinos serão operados pela empresa. A Azul, no entanto, entende que os voos para Miami, Orlando e Nova York são os mais rentáveis no momento para as viagens internacionais, devido ao fluxo de passageiros brasileiros que viaja para os Estados Unidos.

A prioridade da Azul, segundo Neves, é que a base operacional da empresa nos Estados Unidos seja instalada no aeroporto de Fort Lauderdale, a cerca de 30kmdeMiami, considera uma opção melhor do que o Miami International Airport. “É uma questão de estrutura que estamos avaliando. No aeroporto de Fort Lauderdale temos lotes maiores, mas também temos benefícios em Miami.”

O aeroporto de Fort Lauderdale é uma base operacional da JetBlue,empresacriadaporDavid Neeleman em 1998.

IPO. A expansão da Azul não depende da abertura de capital, disse Neeleman.Aoferta pública inicialde ações (IPO,na sigla em inglês) é um projeto antigo da empresa, mas que vem sendo adiado por condições adversas da economia. A estimativa do mercado é de que a empresa levantaria cerca de R$ 1 bilhão com a oferta.

“Nosso caixa está bem. No dia em que quisermos abrir o capital, vamos fazer”, disse o empresário. “Agora não precisamos e a empresa não pode parar.”

/ COLABOROUMARINA GAZZONI

PARA ONDE VÃO AS AÉREAS BRASILEIRAS
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fonte: empresas e anac infográfico/estadão

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