Aéreas vivem ‘era de ouro’ da classe executiva

O Estado de S.Paulo
Sábado, 10 de maio de 2014
Hoje, maior parte da demanda por viagens com serviço de luxo se concentra no setor corporativo

THE NEW YORK TIMES

benjamin kilb/nytimes-28/4/2014
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Serviço. Sala vip da aérea Lufthansa: ‘mimos’ antes do voo

Muita gente ainda pensa que a “era de ouro” da aviação foi nos anos 1960, mas, para quem pode pagar, o glamour hoje oferecido para os passageiros de classe executiva ou primeira classe é muito maior.

Uma pessoa com recursos pode, por exemplo, fazer uma luxuosa viagem de ida e volta em primeira classe entre Los Angeles e Dubai num jato superjumbo A380 da Emirates Airlines. Ao entrar na aeronave, o passageiro, além de ser servido com comida e bebida soberbas, será mimado num compartimento privado com porta corrediça, poltrona totalmente reclinável com colchão, penteadeira, minibar pessoal e televisor de tela plana, além de um banheiro de luxo no corredor que tem até uma ducha. Tudo por US$ 32,8 mil.

“Se tiver dinheiro, você pode comprar mais opções”, disse Rene Foss, comissária de bordo desde 1985 de uma grande empresa aérea. “Por US$ 10mil ou US$ 20 mil ou mais, poderá ter um leito privado. E se não tiver, terá uma opção de serviço bem diferente: a chamada classe econômica”, brinca Foss, autora de Around the World in a Bad Mood (Mundo Afora de Mau Humor), livro bem humorado sobre o serviço aéreo.

A mãe de Foss, Maxine, foi comissária de bordo na antiga Northwest Orient Airlines nos anos 1950. Foss ainda guarda lembranças da mãe, entre elas, menus das refeições compostas por vários pratos para todos os viajantes e até um par de luvas brancas.

Numa época em que voar causava ansiedade, os comerciais das companhias enfatizavam o serviço ao cliente e a segurança. Um anúncio de 1958 para a United Air Lines, mostra uma comissária ajeitando a gravata de um garotinho e alardeando uma atenção pessoal extra.

Por outro lado, voar naquela época era privilégio dos que podiam pagar os altos preços antes que a competição intensa e o corte de tarifas acompanhassem a desregulação do setor nos Estados Unidos,em1978.A popularização do serviço foi acompanhada de uma separação mais clara entre as “classes” dentro de um voo.

Esse abismo de serviço ficou mais claro a partir dos anos 1990, quando British Airways e Virgin Atlantic introduziram camas totalmente reclináveis e luxuosas cabines da classe executiva em voos internacionais.

“De lá para cá, é espantosa a quantidade de dinheiro gasta só no desenvolvimento de assentos”, disse Foss. “Nos anos 1950, não havia nada disso. Oferecia- se um drinque com guarda-chuva de papel para enfeitar e uma boa refeição.”

Mudanças. Nos últimos anos, com as companhias aéreas batalhando para atrair o lucrativo mercado das viagens de negócio, muitas empresas aéreas internacionais reduziram e até eliminaram o espaço da primeira classe, preferindo expandir e melhorar a classe executiva.Assim, embora algumas pessoas ainda queiram pagar pelo compartimento privado de US$ 32 mil, boa parte do mercado de luxo está agora na classe executiva, na qual as companhias vêm gastando quantias enormes para competir.

“Fomos a primeira companhia aérea a introduzir o entretenimento individual por assento para passageiros da classe executiva, um spa no lounge do aeroporto e transporte em limusine. Agora algumas destas coisas são a norma no setor”, disse Craig Kreeger, diretor-presidente da Virgin Atlantic.

A companhia de Kreeger está dando os retoques finais numa frota de novos aviões Boeing 787 Dreamliner. A empresa convida alguns de seus viajantes mais fiéis a participar das discussões sobre os “mimos” em desenvolvimento.

A Virgin está entre as companhias aéreas globais que figuram rotineiramente nas listas de dez melhores em serviços para a classe executiva, que também incluem Singapore, Cathay Pacific, British Airways, Emirates, Etihad, Korean e Qatar. As empresas americanas raramente figuram nessas listas, mas todas estão investindo para melhorar as cabines de luxo.

Para atender empresas, aéreas reduzem preços

? A competição pelos diretores de grandes empresas reduziu o valor da classe executiva nos últimos anos. As tarifas transatlânticas de ida e volta eram de cerca de US$ 10 mil há seis anos. Levantamento recente da Orbitz mostrou queda e uniformidade notáveis entre as companhias. As tarifas de ida e volta em classe executiva entre Nova York e Londres estavam em US$ 6.474, segundo a Orbitz.

As tarifas econômicas eram US$ de 1.471. As classes econômicas “premium” ou “plus” – uma econômica um pouco melhor – custavam cerca da metade das tarifas executivas.

Segundo fontes de mercado, a linha “intermediária” foi positiva para as aéreas. Isso porque não tirou altos executivos da classe que leva o nome do seu cargo, mas permitiu que funcionários de nível intermediário se livrassem da classe econômica.

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