Espera de 17 anos perto do fim

ZERO HORA
21 de maio de 2014

ECONOMIA AEROPORTO X NEVOEIRO

COM A APROVAÇÃO pela Anac, sistema que melhora operações em dias de neblina é prometido para a primeira semana de junho, o que deve reduzir não eliminar transtornos no aeroporto
CAIO CIGANA
caio.cigana@zerohora.com.br

Uma longa espera está perto de acabar. Depois de 17 anos de promessas, o compromisso do governo federal agora é colocar em operação o ILS 2 no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, até a primeira semana de junho. O equipamento eleva a possibilidade de pousos e decolagens quando há nevoeiro. A estreia, portanto, seria pouco antes da Copa.

Já instalados na cabeceira da pista 11 (próxima à Avenida dos Estados), o ILS 2 e as suas estruturas complementares passaram no início do mês por avaliação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ligada à Presidência da República e escalada para centralizar as informações relacionadas ao equipamento, a Secretaria de Aviação Civil (SAC) confirmou ontem que o relatório da Anac aprovou as instalações sem ressalvas.

Para entrar em operação, faltaria apenas a Infraero enviar documentos relativos ao processo de certificação do ILS 2.

Com o equipamento em funcionamento, diminui o risco de a Capital ter a imagem arranhada durante o Mundial por sofrer repetidamente com o fechamento do aeroporto devido à presença da neblina nos meses mais frios do ano. Para os usuários do Salgado Filho, pode significar menos atrasos em dias de nevoeiro daqui para a frente.

SOLUÇÃO NÃO IMPEDIRÁ FECHAMENTO DA PISTA

O ILS 2, porém, não vai significar que o aeroporto de Porto Alegre deixará de fechar, lembra o ex-comandante da Varig Vitor Stepansky, piloto há 47 anos.

O novo equipamento vai diminuir pela metade as distâncias mínimas de visibilidade para pouso, que hoje são de 60 metros de teto e 800 metros de distância horizontal com o ILS 1 (veja fotos de pouso em simulador acima).

Grosso modo, espera Stepansky, um episódio de neblina que deixava o Salgado Filho sem operações por duas horas, por exemplo, poderia ser reduzido para uma hora.

Embora pondere que as variáveis climáticas dificultem uma projeção mais precisa, o diretor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Elones Fernando Ribeiro, tem expectativa semelhante. Para o professor, as condições de operação no Salgado Filho em situações meteorológicas adversas, como baixo teto e visibilidade, vão melhorar pelo menos 50%.

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Voo em simulador mostra que, com o ILS 1, se piloto não vê a pista do
Salgado Filho neste ponto, não poderá pousar

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O ILS 2 aproxima mais o avião da pista, o que aumenta a possibilidade de
pouso. Mas não resolverá 100% dos transtornos

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