Passageiros bêbados estão na mira das companhias aéreas

Estado de S.Paulo
01 Julho 2014 | 09h 44

Associação internacional das empresas de aviação discute formas de conter os prejuízos causados pelos viajantes que abusam de bebidas
Martha C. White – The New York Times

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Prejuízo de bêbado não tem dono
Chi Birmingham/NYT

As empresas áreas estão preocupadas com os desentendimentos a bordo relacionados ao consumo exagerado de álcool pelos passageiros, um problema persistente, perigoso e assustador para todos os que viajam ou trabalham em aviões.

Em resposta aos frequentes incidentes relacionados ao abuso de bebidas durante as viagens, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) está lutando por leis internacionais mais rígidas para permitir que um passageiro indisciplinado possa ser penalizado no país onde o avião pousar, mas a medida ainda aguarda ratificação.

A associação também tenta buscar formas de melhor controle do embarque de passageiros potencialmente bêbados.

Tony Tyler, diretor executivo da associação, explica que o número de incidentes registrados pelas companhias aéreas aumentou nos últimos anos. No ano passado, cerca de 8 mil casos de comportamento indisciplinados foram relatados pelas companhias aéreas que integram a IATA. Em 2007, quando a associação começou a acompanhar esses episódios, foram menos de mil casos.

Não está claro se a estatística comprova o aumento do número de incidentes ou se as companhias aéreas estão mais sintonizadas e preocupadas em relatar os casos.

“De qualquer forma, os números são suficientes para causar uma grande preocupação”, disse Perry Flint, representante da associação.

Nos Estados Unidos, o número de incidentes de passageiros desordeiros em voos domésticos – em que as proteções legais para as companhias aéreas são mais fortes – manteve-se em grande parte estável nos últimos anos, com 160 ações de execução reportados no ano passado, de acordo com a Administração Federal de Aviação.

Mas em voos internacionais a situação é mais preocupante. No ano passado, a Delta anunciou que passou a oferecer licor, cerveja e vinho a todos os passageiros em voos internacionais. Nos voos domésticos, o álcool não é oferecido na classe econômica.

Com a nova política, a Delta seguiu o padrão das demais companhias internacionais. Há dois anos, a American Airlines começou a oferecer cerveja e vinho em voos de e para a Europa, Ásia e alguns países sul-americanos. A US Airways, que se fundiu com a American Airlines, oferece vinho com o jantar em voos internacionais.

George W. Hamlin, presidente da consultoria Hamlin Transporte, disse que as políticas de bebida liberada são muitas vezes postas em prática por razões competitivas.

“Há passageiros que fazem a opção de ir com uma operadora pensando nas bebidas oferecidas gratuitamente”, disse ele.

Há um preço por essa política, dizem os trabalhadores das companhias aéreas. Amanda Pleva, assistente de voo, disse que os passageiros podem ser motivados a beber demais por várias razões: o medo de voar, a vontade de dormir, o stress, o tédio ou a frustração causada por um longo atraso”, explica ela. “Ou também apenas por prazer”.

“Normalmente, quando você tem pessoas que estão viajando a negócios e ficam bêbadas no avião, normalmente não é só porque eles bebem apenas por prazer, mas também por várias preocupações”.

Os medicamentos contra a ansiedade ou soníferos podem criar situações alarmantes quando os passageiros misturam com um copo ou mais de bebida.

“Agora, com pílulas, as pessoas pensam que são invencíveis”, disse Pleva. “Corremos o risco de encontrar pessoas cada vez mais irracionais por causa dessas misturas”.

Quaisquer que sejam as medias adotadas, o fato é que a tendência é de haver menos tolerância com essas situações especialmente nos aviões com maior capacidade, onde os riscos são potencialmente maiores.

“Podemos ter chegado ao ponto onde há tantas passageiros a bordo em um espaço lotado que o estresse passa a ser um risco a ser considerado”, disse Robert W. Mann, um consultor da indústria aeronáutica.

Esse parecia ser o caso, no mês passado, quando um passageiro bêbado a bordo de um voo da American Airlines de Los Angeles para Miami forçou o avião a fazer um pouso de emergência em Phoenix.

“Esses casos são analisados isoladamente”, explica Simcha McIntosh, porta-voz da American Airlines. “Em última análise, o capitão decide se um voo precisa desviar por causa de um passageiro incômodo”.

Estes casos podem custar muito caro para as companhias aéreas. Um desvio de rota pode custar US$ 20 mil ou mais em termos de tempo da tripulação, custos de combustível, taxas de aeroporto e outras despesas, disse Mann.

O preço pode subir ainda mais. A IATA registrou um caso em 2011 em que uma empresa perdeu US$ 200 mil em um desvio na rota ao cruzar o Pacífico.

É difícil dizer quantos incidentes estão relacionados ao abuso de álcool, porque os números não são exatos. “Muitas companhias aéreas que participaram de uma pesquisa da IATA sobre os passageiros indisciplinados encaravam o álcool como o principal contribuinte para o comportamento disruptivo”, diz a associação em seu site.

“As empresas observaram que os passageiros, em inúmeros casos, podem ter sido intoxicados no momento de embarcar no avião ou tiveram acesso ao seu próprio abastecimento de álcool a bordo”.

Algumas pessoas tentam roubar álcool a bordo, disse Pleva. “A proibição de líquidos e gel realmente ajuda”, disse ela. Alguns pedem uma dose para cada comissário de bordo para disfarçar o consumo exagerado. Atendentes ocasionalmente tropeçam em um estoque de garrafas vazias no banco de trás depois que os passageiros saem.

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