Companhias aéreas se reinventam eliminando assentos de primeira classe

O Globo
27/08/2014 12:13

Mudanças se tornam padrão nas principais empresas do setor
POR BLOOMBERG NEWS

LONDRES, DUBAI E FRANKFURT – As maiores companhias aéreas do mundo estão reavaliando a necessidade de cabines de primeira classe em suas aeronaves. Em parte porque mimos aos clientes da classe executiva até recentemente impensáveis, como assentos totalmente reclináveis, tornaram injustificáveis os caríssimos assentos da primeira cabine.

Após o lançamento de “berços” totalmente reclináveis na classe executiva introduzidos este ano pela Air France-KLM Group, as cabines corporativas das principais operadoras em Europa, Ásia e Oriente Médio agora oferecem uma experiência comparável àquela disponível na primeira classe há quase duas décadas.

 

Comissárias de bordo da Virgin: Companhia foi a primeira a eliminar a tradicional primeira classe - Chris Ratcliffe / Bloomberg/30-4-2014

Comissárias de bordo da Virgin: Companhia foi a primeira a eliminar a tradicional primeira classe – Chris Ratcliffe / Bloomberg/30-4-2014

Entre as companhia aéreas que veem uma demanda limitada por assentos de luxo estão American Airlines, que está eliminando esta seção de quase 50 aeronaves; Deutsche Lufthansa, que está investindo € 1 bilhão (US$ 1,3 bilhão) para melhorar a classe executiva, enquanto a oferta da primeira classe é reduzida em 30%; e até mesmo a Qatar Airways, empresa do Golfo considerada uma das mais luxuosas. Outras empresas estão sendo ousadas, como a Etihad Airways, de Abu Dhabi, adicionando suítes privadas estilizadas como “A residência” com cama dupla, área de living e até chuveiro, por US$ 20 mil só a ida para Londres.

— A economia da pós-recessão está bem consciente dos custos das viagens e as companhias aéreas só vão colocar primeira classe onde for economicamente justificável — Henry Harteveldt, fundador do Atmosphere Research Group, uma firma de consultoria em viagens.

VIRGIN FOI PIONEIRA

As empresas repensando o futuro das viagens de primeira classe estão seguindo os passos da Virgin Atlantic Airways, do bilionário britânico Richard Branson, que abandonou o tradicional modelo de três classes nos voos de longa distância nos anos 1980.

A Virgin procurou criar uma identidade que a diferenciasse da British Airways, a principal companhia aérea a operar no Aeroporto de Heathrow, importante centro de distribuição de voos (hub) em Londres. A “classe superior” da empresa trocou o luxo por uma abordagem mais tecnológica e amigável aos negócios.

— Se pudermos responder às necessidades básicas do passageiro de uma forma criativa a etiqueta se torna menos importante — disse o diretor de marca e relacionamento com o cliente da Virgin, Reuben Arnold. — É uma classe executiva com vários dos benefícios da primeira classe.

A Qantas Airways, da Austrália, foi a primeira a cortar sua oferta de assentos na primeira classe em 2010, após a queda no crédito e a recessão global, com o diretor executivo Alan Joyce afirmando à época que o produto estava um declínio de longo prazo. Os assentos de luxo só foram mantidos em 12 superjumbos Airbus A380 e três Boeings 747, operando em rotas premium, tais como Sydney-Londres.

A Turkish Airlines decidiu não criar uma primeira classe, ao passo que a Latam Airlines Group, a principal empresa aérea da América do Sul, está se desfazendo dessa categoria, em meio à consolidação mediante a aquisição por US$ 3,9 bilhões da brasileira TAM pela chilena Lan Airlines.

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