Itaú quer cobrar da Airbus indenização da TAM

O Estado de S.Paulo
Terça-feira, 02 de setembro de 2014

Seguradora foi à Justiça alegando falha no projeto do A320 que se chocou contra prédio na zona sul e matou 199

Marco Antônio Carvalho
ESPECIAL PARA O ESTADO

A Itaú Seguros, empresa seguradora da TAM, quer ser ressarcida pelo pagamento de indenizações a vítimas do acidente com o voo JJ3307, que matou 199 pessoas em 2007 em São Paulo. Para a seguradora, a Airbus, fabricante do modelo A320, foi a “responsável exclusiva” pela tragédia por supostas falhas no projeto da aeronave. Valores pagos a parentes das vítimas superam meio bilhão de reais.

Para averiguar a responsabilidade da Airbus no caso, a 36.ª Vara Cível de São Paulo deferiu em março pedido para a realização de perícia técnica de engenharia e 106 pontos de questionamentos da seguradora deveriam ser respondidos em laudo. Há duas semanas, no entanto, a 16.ª Câmara de Direito Privado atendeu a pedido da multinacional de aviação e suspendeu temporariamente o processo em primeira instância. Ontem, o jornal Folha de S.Paulo mostrou que a Airbus responsabiliza pilotos, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e a TAM pelo acidente.

Com a perícia, a Itaú planejava embasar seu pedido de ressarcimento financeiro das quantias. O valor total pago e atualizado supera os R$ 537 milhões. O posicionamento da Itaú em apontar responsabilidade para Airbus difere do entendimento do Ministério Público Federal (MPF) sobre o caso.

Em ação criminal, em abril, o procurador Rodrigo de Grandis pediu a condenação de uma ex diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e um ex diretor da TAM a uma pena de 24 anos de prisão. Para ele, os dois assumiram o risco de expor a perigo aeronaves que operavam em Congonhas.

Processo. Na esfera cível, em março deste ano, a Itaú entrou com pedido de perícia técnica e solicitou informações dos pontos supostamente controversos, como funcionamento de softwares, alertas e procedimentos técnicos da aeronave. Em 18 de agosto, o engenheiro Robert Williams Scavone Kairalla foi designado como perito e deveria indicar assistentes para elaboração conjunta de laudo pericial ainda sem prazo para término.

Em defesa às acusações, a Airbus apontou o que acredita ser os culpados pelo maior acidente aéreo brasileiro: os dois pilotos; a companhia aérea TAM, que supostamente não quis instalar o software para aumentar avisos em caso de assimetria dos manetes; e problemas no Aeroporto de Congonhas. A reportagem do Estado não conseguiu manter contato com a Itaú Seguros para comentar o andamento do caso.

PARA LEMBRAR
Acidente deixou 199 mortos

O acidente com o voo JJ3307 da TAM ocorreu no dia 17 de julho de 2007, quando o Airbus A320 não conseguiu realizar seu pouso com sucesso no Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital.

Como tempo chuvoso, a aeronave que vinha de Porto Alegre não conseguiu frear, ultrapassou os limites da pista e explodiu ao colidir com um prédio na própria TAM nas proximidades do aeroporto, na Avenida Washington Luiz.

O acidente matou no total 199 pessoas entre passageiros, comissários, pilotos e vítimas em solo.

NA WEB
Portal. Veja capa do Estado um dia após o acidente
estadao.com.br/e/acervotam

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