Expansão da Azul depende de novas regras

O Estado de S.Paulo
Segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Entrada em Congonhas e subsídio a voos regionais podem abrir novas rotas à empresa, que não ampliou fatia no mercado neste ano
Marina Gazzoni

mister shadow-3/12/2013

Concorrência. Ainda dominado por TAM e Gol, Congonhas pode ter 14 voos diários da Azul

Concorrência. Ainda dominado por TAM e Gol, Congonhas pode ter 14 voos diários da Azul

Com 103 destinos em operação, a Azul chegou perto do limite de cidades para onde pode voar no Brasil. Para concretizar parte do seu plano de expansão, a empresa precisa avançar no mercado regional e entrar no Aeroporto de Congonhas. Mas, para isso, depende de decisões do governo.

O avanço no mercado doméstico está sujeito à aprovação do plano de estímulo à aviação regional, que está tramitando no Congresso.O tema é polêmico, pois envolve a transferência de recursos públicos para as empresas aéreas e também se aplica a voos vigentes. Como a Azul é líder em voos regionais, deve receber a maior parte do subsídio. O plano passou por diversos ministérios, mas, segundo o Estado apurou, um dos seus entusiastas foi o secretário do Tesouro, Arno Augustin, que também é conselheiro da Embraer. A Azul, lembram fontes do mercado de aviação, é a única companhia aérea brasileira que usa aeronaves da fabricante em seus voos.

Respondendo a questionamento da reportagem, o Tesouro Nacional afirmou que “é inverídico que o plano de aviação regional estaria beneficiando determinada empresa aérea”. O órgão disse que o plano vai “ampliar a quantidade de pessoas e municípios com acesso à aviação”, que “não estabelece reserva de mercado” e que “qualquer empresa habilitada a transportar passageiros no Brasil estará apta a receber subsídios”.

A Embraer afirmou, em nota, que colaborou com o desenvolvimento do plano,“ apresentando seu conhecimento técnico e sua experiência internacional nos modelos de desenvolvimento da aviação regional empregados em outros países”.

A fabricante também afirmou que, se bem-sucedido, o plano “elevará o número de rotas regionais e consequentemente a frota de aeronaves operadas no País”, mas ressaltou que a regra abre a possibilidade para diversas fabricantes e não tem projeções de vendas.

As demais empresas aéreas também podem receber subsídio em algumas rotas que já fazem. A Gol informou que já opera em 22 aeroportos regionais e que, após a publicação do plano, avaliará se poderá voar para mais cidades do interior. A TAM também informou que avaliará este mercado.

Congonhas. A definição de novas regras para a ocupação do Aeroporto de Congonhas pode também abrir novas rotas à Azul. A companhia estima que poderá ter 14 voos por dia no aeroporto de maior movimentação do País.

Entre janeiro e julho deste ano, a Azul ampliou em cerca de 40% a oferta de passagens nos voos domésticos, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). No mesmo período, as líderes Gol e TAM mantiveram o movimento de redução de oferta, iniciado em meados de 2012. A Azul viu sua participação saltar de 11%, em janeiro do ano passado, para 16,5%, em dezembro.

“A Azul se beneficiou do corte de oferta dos concorrentes para ganhar mercado. As empresas estavam em momentos diferentes. Enquanto a Azul ainda estava consolidando sua malha, Gol e TAM privilegiaram o aumento da rentabilidade”, disse o sócio da consultoria Bain & Company, André Castellini.

Criada no fim de 2008, a Azul montou sua base operacional no Aeroporto de Viracopos,em Campinas, que estava sub aproveitado. Na época, questionava se sua capacidade de ganhar mercado sem voar em Congonhas. Com jatos da Embraer, a Azul lançou voos em cidades menores do que as operadas por TAM e Gol. A empresa cresceu com voos no interior e nos aeroportos além da capital paulista. Com a compra da Trip,em 2012, a Azul se tornou líder no mercado regional – e até a única competidora em algumas rotas.

O crescimento, no entanto, já dá sinais de perda de fôlego. A empresa mantém a mesma fatia de mercado desde dezembro (de cerca de 16%) e já voa com aviões mais vazios. “O voo para os EUA foi uma alternativa para ganhar mercado”, diz o consultor em aviação Nelson Riet.

Oportunidade
“As empresas estavam em momentos diferentes. Enquanto a Azul ainda estava consolidando a sua malha, Gol e TAM privilegiaram o aumento da rentabilidade.”
André Castellini
SÓCIO DA CONSULTORIA
BAIN & COMPANY

PARA ENTENDER
Congonhas tem novas regras

O Aeroporto de Congonhas é o sonho de qualquer empresa que voe no Brasil, pois seus voos são os mais rentáveis do País. A infraestrutura opera no limite e, até agora, a regra para distribuição de eventuais novos slots (horários de pouso ou decolagem) priorizava as empresas que já operam em Congonhas. Como chegou ao mercado em 2008, a Azul ficou de fora. Depois de ganhar mercado, a aérea de David Neeleman começou a questionar sua exclusão. Agora, o governo mudou a regra do jogo e a Azul está perto de entrar em Congonhas. Em julho, a Anac publicou uma resolução prevendo o aumento da capacidade de Congonhas e a distribuição de slots a empresas que não voam no local. Criada a regulação, a concessão de slots à Azul pode sair a qualquer momento. Neeleman diz que a Azul está pronta para voar em Congonhas.Umdia depois da divulgação da nova regra, a Avianca disse que ela era injusta e só favorecia a Azul.

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