Privatização provoca boom de novos voos internacionais

Estado de Minas
22/09/2014 07:55

Depois de privatizados, terminais investem em expansão e atraem companhias aéreas, que anunciam operações para novos destinos. Competição maior favorece queda das tarifas
Pedro Rocha Franco

Pouco mais de um mês após ser transferido para a iniciativa privada, o aeroporto internacional de Confins amplia suas operações com anúncio de rota de BH para Punta Cana

Pouco mais de um mês após ser transferido para a iniciativa privada, o aeroporto internacional de Confins amplia suas operações com anúncio de rota de BH para Punta Cana

Os investimentos alavancados a partir da concessão dos principais aeroportos do país permitiram um boom na criação de rotas internacionais. A substituição da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) pela iniciativa privada à frente da operação de Guarulhos, Viracopos, Brasília, Galeão e Confins tirou do papel construções para desafogar os gargalos de terminais, pistas e pátios da rede aeroportuária, além de desburocratizar a administração. Novos voos foram criados em Guarulhos, abrindo as portas do Brasil para destinos antes não operados, como Adis Abeba, na Etiópia, e Casablanca, no Marrocos. Em outros terminais, rotas foram criadas, possibilitando, assim, a moradores de outras cidades voar sem escala para destinos importantes nas Américas. Exemplo são as rotas aprovadas na última semana saindo de Minas e do Distrito Federal para o paraíso caribenho de Punta Cana, na República Dominicana.

Os resultados em Viracopos, Brasília e Guarulhos são percebidos com mais força por terem sido os primeiros aeroportos concedidos à iniciativa privada. Em todos, as primeiras obras já foram concluídas. Segundo a Associação Nacional das Empresas Administradoras de Aeroportos (Aneea), até a Copa do Mundo, aproximadamente R$ 1 bilhão foi investido em melhorias, como a construção de terminais, caminhões contra incêndio, comunicação e sinalização e a ampliação de pátios e pistas.

Viracopos é o exemplo mais claro: a construção de um novo terminal de passageiros, com área mais de seis vezes maior que o antigo, permitirá, a partir de dezembro, desafogar o aeroporto. Com 28 pontes de embarque, a unidade nova tem capacidade para até 22 milhões de passageiros por ano. “O terminal existente comportava só mais um ou dois voos. Não tinha Dutty Free (free shop, lojas sem imposto). Adequamos a infraestrutura para atrair as companhias aéreas. Antes, tinha demanda, mas não tinha como acomodar”, afirma o diretor comercial da Aeroportos Brasil Viracopos, Aluízio Margarido. Ele acrescenta que a concessionária contratou uma empresa holandesa para projetar os novos espaços, incluindo sistemas modernos semelhantes aos usados no país europeu.

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A construção foi essencial para firmar acordo com a American Airlines para criar duas rotas rumo aos Estados Unidos – Miami e Nova York. Campinas é a décima cidade brasileira atendida pela empresa. “Não estamos indo porque ele foi privatizado, mas ele privatizado nos dá condição de operar. (A concessão) está acelerando a modernização dos terminais do país”, afirma o diretor regional de Venda da American Airlines no Brasil, Dilson Verçosa Júnior.

Mais espaço Segundo ele, o crescimento da aviação na última década fez com que os aeroportos ficassem pequenos devido à falta de investimentos para acompanhar o aumento do volume de passageiros. “Viracopos estava muito acanhado para a operação que queremos fazer. Sem espaço, conforto. Não entramos antes porque o aeroporto não tinha condição de atender”, diz Verçosa sobre o período anterior à concessão, que cita a falta de balcão de check-in, espaço para carga etc.

Fora os voos da American Airlines, Viracopos terá rotas da Azul e da Gol para os Estados Unidos e da Copa Airlines para a Cidade do Panamá. Antes mesmo da inauguração definitiva do novo terminal, o aeroporto já tem a confirmação do aumento dos voos internacionais de três para 38 frequências semanais. Em Guarulhos, desde que a GRU-Airport assumiu a operação, outras nove cidades no exterior têm voos diretos. A lista tem Havana (Cuba), Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), Adis Abeba (Etiópia), Quito (Equador), Charlote (Estados Unidos) e Casablanca (Marrocos). Nenhuma dessas seis cidades tinha voo direto de São Paulo.

Os novos voos permitem considerável redução no tempo de viagem. Por exemplo, a rota entre Confins e Punta Cana antes passava necessariamente por São Paulo ou Cidade do Panamá, obrigando o passageiro a ficar algumas horas em conexão. O novo voo permite ao passageiro pousar na República Dominicana seis horas depois do embarque. Antes das concessão, a conexão poderia ser feita em outro país no caso de um voo para a Etiópia.

Competição Além da possibilidade de voar para mais rotas e sem fazer escala em Rio de Janeiro e São Paulo, um importante benefício do maior número de rotas disponíveis é a concorrência entre as companhias aéreas. A Azul iniciou a venda de bilhetes para os voos saindo de Campinas para a Flórida nos últimos dias com preços promocionais e, de imediato, a Gol reagiu e também anunciou tíquetes com valores parecidos.

Segundo a Gol, as metas que foram estabelecidas para os operadores privados forçaram uma rápida expansão da capacidade operacional, o que possibilitou o aumento do número de voos e melhorias nos terminais, elementos visíveis nos três aeroportos que foram concedidos primeiro. “Por ser um dos mais importantes elementos no sistema de transporte aéreo, o aeroporto pode ser um dos fatores de decisão para criação de um voo internacional”, diz, em nota, a companhia aérea, acrescentando que, “dependendo das facilidades operacionais, do custo, do conforto e dos serviços oferecidos aos passageiros, alguns aeroportos poderão se tornar mais interessantes”.

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