Plano de aviação pode fazer Azul cancelar compras da Embraer

Estado de S.Paulo
Terça-feira, 11 de novembro de 2014

Marina Gazzoni / SÃO PAULO
Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA

fabio motta/estadão-11/10/2012

Perdas. Para empresa, texto atual privilegia empresas que voam com aeronaves maiores

Perdas. Para empresa, texto atual privilegia empresas que voam com aeronaves maiores

A Azul ameaça deixar de comprar novos aviões da Embraer e suspender as encomendas dos jatos de segunda geração se as mudanças feitas no plano de aviação regional forem aprovadas no Congresso.O texto está na pauta para ser votado hoje pela comissão mista.

O texto do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), relator da comissão mista criada para analisar o projeto, prevê que as empresas recebam subsídio para 50% dos assentos oferecidos em rotas regionais. Na versão original, a proposta era subsidiar metade dos assentos, limitados a 60 lugares.

“Semlimite de assentos, ninguém voará para cidades pequenas. É um‘antiplano’ de aviação regional”, disse o presidente da Azul, Antonoal do Neves. Segundo ele, a nova medida incentiva as empresas a investirem grandes aviões para voar para cidades médias do interior, como Joinville (SC) e Maringá (PR) – para onde empresas já voam mesmo sem ajuda financeira.

Neves diz que a estratégia de expansão da Azul será completamente revisado se esse ponto não for revisto. A empresa tem oito aeronaves da Embraer já compradas e pretendia adquirir mais oito para elevarem16 unidades sua frota em 2015 e atender 20 novas cidades.

Se a versão do relator for aprovada, a Azul diz que pedirá à Embraer para atrasar as entregas. “Será mais interessante vender dez aviões da nossa frota atual e trocar por modelos maiores, como da Boeing ou Airbus”, disse o executivo.

O presidente da Azul diz que a empresa avalia desistir da aquisiçãodos50jatosdesegunda geração da Embraer, modelo que chega ao mercadoem2018. A encomenda é estimada em US$3,1 bilhões, considerando o valor de pedidos firmes e opções a preço de tabela. “Temos uma carta de intenção assinada, mas não o contrato.” A ação da Embraer caiu 5,68% ontem, a maior queda do Ibovespa.

A Azul faz hoje 850 voos diáriosparacercade100cidades. A estimativa da empresa é adicionar 122 frequências diárias caso o plano regional volte à versão original. Se o texto do senador Ribeiro passar, a ordem é cortar 100 voos. Neves elencou ao Estado as 20 cidades que deixarão de ser atendidas. “As duas primeiras serão São José dos Campos e Araraquara. Perdemos R$ 5milhões nesses destinos só este ano”, disse. “Não estou blefando. É pagar para ver.”

Apesar das ameaças da Azul, Ribeiro promete brigar para aprovar hoje o texto que retira o teto para o subsídio ao setor. “As ameaças da Azul não ajudam em nada. Atitudes extremas não irão pressionar o relator”, disse.

De acordo com Flexa Ribeiro, o texto foi alterado para estimular a concorrência de mais empresas em rotas hoje operadas por poucas companhias. “Da forma como a MP chegou até nós, parecia que o texto havia sido feito por encomenda para a Azul, mas nós defendemos o livre mercado, independente do tamanho da aeronave. O objetivo do plano de aviação regional é aumentar as rotas e frequências, com redução das tarifas”, avaliou.

Frota. Enquanto a Azul voa no Brasil com aviões ATR e Embraer, com até 118 assentos, TAM e Gol usam aeronaves de até 187 assentos. Em nota, a Gol disse que “vê como positivas as novas diretrizes do texto”.

Para a presidente da TAM, Claudia Sender, a retirada do limite de subsídio torna o projeto “isonômico”. Ela ressaltou que a empresa quer ampliar sua malha regional, mas escolherá uma frota que faça sentido para o negócio, independentemente do plano do governo. “A TAM não comprará aviões pensando em subsídios. O plano está previsto para durar cinco anos. É metade da vida útil de uma aeronave.”

Recommended Posts

Start typing and press Enter to search