Pela 3ª vez, Azul tenta lançar ações na Bovespa e no mercado americano

Estado de S.Paulo
Terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Empresa pediu ontem registro de companhia aberta e de IPO na CVM e na SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos EUA; pressão dos fundos de private equity por ‘porta de saída’ e necessidade de captar recursos para a expansão motivam oferta
Marina Gazzoni

fabio motta/estadão-21/11/2014

Balanço. Até setembro, Azul teve prejuízo de R$ 63 milhões

Balanço. Até setembro, Azul teve prejuízo de R$ 63 milhões

A Azul Linhas Aéreas partiu ontem para sua terceira tentativa de abrir o capital. A companhia aérea brasileira apresentou um pedido de registro de empresa aberta e de oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e na SEC (Securities Exchange Commission), órgão regulador do mercado de capitais norte-americano.

Estimada pelo mercado em R$ 1 bilhão, a oferta de ações da Azul será primária e secundária. Ou seja: parte dos recursos será usada para capitalizar a empresa e outra parte para remunerar acionistas que venderão suas ações na Bolsa de Valores.

O IPO da Azul está nos planos da empresa desde sua fundação, em dezembro de 2008, mas vem sendo adiado há pelo menos três anos.A primeira estimativa feita pelo fundador da empresa, David Neeleman, era de que a Azul poderia abrir o capital em 2011. O cenário adverso para lançamento de ações na Bolsa brasileira nos últimos anos e a fusão com a aérea regional Trip, anunciada em maio de 2012, fizeram com que o IPO ficasse para depois.

Segundo fontes do mercado, a empresa vem sendo pressionada pelos fundos de private equity para abrir o capital e dar a eles uma possibilidade de vender suas ações e realizar o investimento feito na companhia. “Isso é normal no mercado. Os fundos não são sócios permanentes”, disse uma fonte do mercado de capitais.

Entre os sócios da Azul, estão os fundos Bozano, Weston Presidio, TPG, Fidelity e Gávea Investimentos, gestora de recursos fundada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Os antigos controladores da Trip, as famílias Chieppe e Caprioli, somam uma participação de cerca de 30% no capital da empresa.

Além de dar uma porta de saída aos fundos de investimento, a Azul também pretende fortalecer seu caixa com a operação. No prospecto da oferta de ações, a aérea diz que utilizará os recursos para comprar jatos da Embraer e ATRs, investir na ampliação de rotas, pagar dívidas e reforçar o capital de giro. A empresa divulgou este ano planos ambiciosos de expansão, que incluem reforços na operação internacional e regional e podem exigir o reforço da frota. Até setembro, a Azul somou receita de R$ 4,2 bilhões e prejuízo líquido de R$ 63 milhões, segundo o documento.

A companhia não comentou a questão, justificando que está em período de silêncio.

Terceira tentativa. A Azul chegou a solicitar o registro de empresa aberta na CVM em maio de 2013 e em fevereiro deste ano, mas as operações não foram adiante. O mercado de capitais ainda está instável, mas a empresa espera que fatores positivos para a economia brasileira e para o setor abram uma janela de oportunidade para o IPO da Azul, avalia o sócio da consultoria Bain & Company, André Castellini.

Entre os pontos favoráveis à Azul estão a recente queda no preço do barril do petróleo, que desonera o custo das empresas aéreas, o início da operação da empresa no aeroporto de Congonhas e a eventual aprovação do plano de aviação regional, que deve beneficiar a companhia. A divulgação da nova equipe econômica do governo brasileiro também pode acalmar os investidores e viabilizar o IPO, explica Castellini.

O cenário, no entanto, ainda tem fatores adversos, como a valorização do dólar em relação ao real, um componente que desfavorece as empresas aéreas – o custo delas é dolarizado. As próprias incertezas sobre a aprovação do plano de aviação regional pesam contra a oferta.

Peso no mercado
16,7% é a participação de mercado da Azul nos voos nacionais entre janeiro e outubro deste ano
103 é o número de destinos atendidos pela companhia no País

PRESTE ATENÇÃO
1 Saída de fundos. O IPO é uma porta de saída para os fundos de private equity venderem suas ações na Azul e realizarem o investimento feito na companhia.
2 Reforço ao caixa. Parte dos recursos captados vai financiar a expansão da Azul, com a compra de aviões e ampliação de rotas.
3 Bolsa americana. Lançamento de ações nos EUA facilitará a entrada de capital estrangeiro na Azul.

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