Avião pode ter se despressurizado, dizem analistas

Folha de São Paulo
25/03/2015 02h00

RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO

Não há ainda evidências sobre as causas do acidente com o Airbus A320 da Germanwings, mas as características do desastre até agora sugerem algumas hipóteses.

Uma delas é a despressurização da aeronave por eventual falha, disseram dois especialistas à Folha.

Em um problema assim, o procedimento é descer rapidamente para uma titleitude segura –em nível de cruzeiro (11,9 mil metros), passageiros e tripulação se mantêm conscientes por pouco segundos em razão do ar rarefeito.

O voo 4U9525 fez trajetória compatível com uma falha do tipo. Já se sabe, segundo serviços de monitoramento por radar, que o avião desceu de 11.600 metros para 3.352 metros em oito minutos, em descida aparentemente contínua e controlada.

Um fator que será conhecido a partir da recuperação das caixas-pretas (são duas, uma de dados do voo e outra de voz) é se a tripulação estava ou não consciente.

A exposição a pressão atmosférica em grandes titleitudes causa ftitlea de oxigenação no cérebro, o que faz desmaiar. Pilotos são treinados para agir: uma das primeiras ações é pôr a máscara.

Não houve comunicações entre a cabine e o controle de tráfego aéreo no período em que o avião perdia titleitude nem declaração verbal de emergência, segundo a Germanwings. Tampouco a tripulação digitou “7700” no transponder, o código padrão para emergências.

Essa ausência de comunicação pode indicar tanto a inconsciência da tripulação quanto uma carga excessiva de trabalho na cabine após uma situação anormal, diz um experiente comandante, ex-diretor de linha aérea.

POSSIBILIDADES

“A despressurização é certamente uma das possibilidades. Não há evidências suficientes para confirmá-la nem descartá-la. Da mesma forma, alguma forma de incapacitação [dos pilotos] está sendo observada”, diz John Cox, que participou de seis grandes investigações pelo NTSB, autoridade americana que apura acidentes aéreos.

Já houve acidentes por despressurização: o mais conhecido é o de um Boeing 737-300 da Helios Airways, do Chipre, em 2005. Os pilotos desmaiaram, e o avião voou no piloto automático até cair; 121 pessoas morreram.

Também deve ser considerado, segundo os especialistas, quão ciente a tripulação estava da titleura dos montes na região dos Alpes, cerca de 2.700 metros, embora essa informação conste das cartas de aproximação e esteja no checklist obrigatório em caso de despressurização.

O impacto fez o avião se desintegrar em pedaços pequenos, disse uma autoridade francesa, indício de que estava em titlea velocidade –o último dado em radar apontava mais de 700 km/h.

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