Choque de custo pode onerar aéreas em R$ 2,5 bilhões

O Estado de S.Paulo
27 Março 2015 | 15h 04

Estimativa da Abear considera titlea do dólar e reversão da desoneração da folha de pagamento, que beneficia setor
Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA

As empresas aéreas estão sofrendo um choque de custos neste ano. Além da titlea do dólar, que impacta em 60% das despesas do setor, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, disse que a reversão da desoneração da folha de pagamento também terá efeito significativo nas contas das empresas.

“Somados todos os fatores, temos uma estimativa de R$ 2,5 bilhões a mais em custos no decorrer de 12 meses”, afirmou Sanoicz ontem durante abertura do seminário “Aviação em Debate: os desafios do setor”.

Sanovicz evitou falar em demissões, mas disse que contratações não estão previstas no atual cenário econômico. “Se não houver nenhuma reversão das medidas propostas pelo governo e da situação do câmbio, as companhias terão que absorver esses custos, seja por meio da revisão das malhas de voo atuais ou por meio da revisão de procedimentos”, concluiu.

Para ele, caso o Congresso não alivie parte dessas medidas, que incluem também mudanças em alíquotas do PIS/Cofins, o crescimento no volume de passageiros registrado nos últimos anos corre o risco de começar a ser revertido. “Se a passagem de avião subir em média 10%, estudos mostram que 14% dos passageiros voltam a optar por viajar de ônibus.”

Já o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, afirmou que é necessário ainda discutir o ajuste fiscal com o Congresso, para ajustar as rubricas onde ocorrerão os cortes. “Sem perder o ajuste, é preciso manter a produtividade e o emprego. O ajuste é indispensável, mas o tamanho e a forma como vai acontecer será modulado pelo debate com o Congresso.”

Concessões. Padilha confirmou ontem que o governo estuda permitir que os atuais concessionários de aeroportos participem dos próximos leilões, desde que disputem apenas novos aeroportos que fiquem a um determinado raio de distância de seus atuais contratos.

O ministro voltou a dizer que os próximos aeroportos a serem concedidos serão os de Porto Alegre, Salvador e Florianópolis e que, daqui a seis meses,o governo abrirá um estudo para um novo lote de aeroportos.

“Analisamos nove aeroportos que podem ser concedidos”, disse. Padilha afirmou ainda que os aeroportos de Manaus, Santos Dumont (RJ) e Congonhas, não serão concedidos e continuarão sob gestão da Infraero.

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