Aéreas atraem capital apesar dos prejuízos

Valor Econômico
06/04/2015 às 05h00

Por João José Oliveira | De São Paulo

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Gol e TAM, as duas maiores empresas aéreas brasileiras, transportaram ano passado juntas 3,5 milhões mais passageiros que em 2013, para atender 67,8 milhões de pessoas, e engordaram o faturamento em R$ 2 bilhões, para superar receitas de R$ 26 bilhões em 12 meses. Mesmo assim, as líderes da aviação comercial no país, que empregam 20 mil funcionários e decolam 6oo mil vezes por ano, chegaram a 31 de dezembro com prejuízo somado de R$ 1,5 bilhão.

O dólar foi apontado como vilão por executivos de Gol e TAM. Ao subir 25% ante o real, a moeda americana inflou dívidas e custos das empresas – que têm mais de 60% de despesas inscritas em divisa externa -, corroendo R$ 1,3 bilhão nos balanços das duas.

Mas o histórico financeiro do setor aéreo brasileiro na última década revela uma trajetória tão irregular quanto um voo sob turbulências. Desde 2004, TA1\i e Gol, empresas que publicam balanços, perderam R$ 2,5 bilhões, em valores corrigidos pela variação do IGP-M.

Foram seis anos de lucros e cinco temporadas de perdas. Nos dias de céu de brigadeiro, entre 2004 e 2007, TAM e Gol tiveram lucros somados de R$ bilhões. Mas a crise financeira global de 2008, deflagrada pela quebra do Lehman Brothers, comeu R$ 3,7 bilhões desses ganhos em apenas doze meses.

Os anos de crescimento econômico, em 2009 e 2010, recuperaram os balanços das duas em R$ 4 bilhões. Mas desde 2011, Gol e TAM não sabem o que é um sinal positivo na última linha de seus demonstrativos. Foram RS 7,9 bilhões de perdas em quatro anos.

15_04_06_veco002“É um setor sujeito a todo tipo de choque externo. De queda de viagens por causa de surtos de doença, a variação do câmbio, guerras, petróleo e clima”, diz o consultor da Bain & Cornpany, André Castellini, especialista em aviação. “Por isso, no longo prazo o histórico do setor é ruim”.

De fato, estudo feito pela McKinsey para a Associação Internacional do Transporte Aéreo (lata) apontou que desde 2004 ações e bônus das empresas aéreas deram a aplicadores um ganho líquido médio anual de 4,1%, bem abaixo de taxas de 8% no setor elétrico ou 20% no setor de softwares.

Mesmo assim, essas empresas não deixaram de atrair investidores e, principalmente. empreendedores interessados em ter asas para voar.

Nos últimos 10 anos, TAM, Gol e Azul, que não publica balanço, levantaram no mercado doméstico R$ 9 bilhões com emissões de ações e de debêntures, a valores atualizados. Outros US$ 4,5 bilhões foram captados no exterior através de notas garantidas, eurobônus e linhas atreladas a leasing. Nesse mesmo período, a quantidade de passageiros transportados no Brasil mais que dobrou, a 100 milhões de pessoas.

Entre essas operações, estão lançamentos de novas empresas criadas pelas aéreas. A TAM captou R$ 723 milhões em fevereiro de 2010 ao lançar em bolsa a unidade fidelidade Multiplus. A Gol fez o mesmo em abril de 2013, captando R$ 1,13 bilhão com a Smiles. “Apesar de grandes perdas em ciclos de crise, as aéreas geram valor a seus controladores”, afirma Casteilini”.

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