Gol diz que cenário é o mais adverso em 8 anos

O Estado de S.Paulo
Quinta-feira, 14 de maio de 2015

Enquanto dólar e inflação em alta pressionam custo da empresa, demanda fraca dificulta repasse nas tarifas aéreas
Luciana Collet

Com dólar alto e a economia brasileira em crise, o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, enxerga um segundo trimestre “mais desafiador que as previsões mais pessimistas”. “Este segundo trimestre é o período mais adverso para o setor aéreo e para a economia brasileira frente aos últimos oito anos”, disse a investidores, em teleconferência. Analistas também projetam um resultado fraco e este cenário tende a seguir pressionando as ações da Gol, que acumulam queda de quase 50% neste ano. Profissionais de mercado estão atentos às dificuldades que enfrentam as aéreas brasileiras.

Além dos sinais de enfraquecimento da demanda entre abril e junho, já considerados pelos analistas, tendo em vista o histórico sazonal, estão no radar a depreciação das moedas locais e a reversão do movimento de queda do querosene de avião, que beneficiou as empresas no primeiro trimestre.

“A Gol não vai registrar um benefício similar (ao do primeiro trimestre) em custo de combustível no segundo trimestre de2015, dado a recuperação dos preços internacionais dos combustíveis e nossas projeções de alta de 36,7% na taxa de câmbio. Além disso, o real mais fraco e a esperada inflação de 8,3% provavelmente irão continuar a pressionar os custos da Gol”, disseram os profissionais da equipe de análise de transporte e logística do Itaú BBA. Embora a Gol tenha conseguido registrar um aumento de sua demanda doméstica, da ordem de 4,9% frente ao primeiro trimestre de 2014, a desaceleração econômica e o aumento da competição entre as principais aéreas nacionais levou a uma queda das tarifas. Assim, a receita que companhia conseguiu com cada assento vendido foi 6,3% menor.

Kakinoff reiterou que espera que a estabilização das tarifas, observada a partir desta semana, será seguida de uma alta. “Não sei quando será a retomada, mas eu acredito que não podemos ir mais baixo do que estamos agora e estamos próximos de um ponto de inflexão”, disse a analistas estrangeiros, durante teleconferência.

A Gol deve seguir neste ano uma estratégia conservadora de oferta de assentos. A previsão atual é de estabilidade, mas Kakinoff admite que essa projeção pode ser revisada e levar a Gol a reduzir sua oferta de assentos ao longo do ano.

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