Querosene de aviação no Brasil é o 2º mais caro

Diário do Comércio – MG
09/06/2015

Miami (EUA) – A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), que representa 257 companhias aéreas no mundo, criticou o preço do combustível de aviação no Brasil – de acordo a organização, o segundo mais caro do mundo, atrás apenas do Malawi, país no sudeste da África.

Em discurso de abertura da assembleia anual da Iata, o presidente da entidade, Tony Tyler, disse ontem que o preço do combustível é um “grande desafio” no Brasil e na África.

Segundo a Iata, o combustível para voos domésticos representa até 40% do custo das companhias aéreas no Brasil, ante 30%, em média, no restante do mundo.

A entidade já criticou em outras ocasiões o preço da querosene de aviação no Brasil. O problema se dá principalmente porque a Petrobras adota valores internacionais para fixar o preço do galão, embora entre 75% e 80% do combustível de aviação seja produzido no Brasil. Os governos estaduais cobram ainda alíquotas variadas, o que eleva o preço do produto. A questão afeta a competitividade das empresas, segundo a Iata.

Lucro – As companhias aéreas deverão registrar neste ano o maior lucro desde os anos 60, resultado impulsionado pela queda esperada de 35% no preço do petróleo, taxas recorde de ocupação das aeronaves e pela recuperação das empresas aéreas americanas. O lucro das empresas deve atingir US$ 29,3 bilhões, uma alta de 78,65% sobre o resultado de 2014, de acordo com projeções divulgadas ontem durante a conferência anual da Iata, em Miami.

Apesar das boas perspectivas anunciadas, Tony Tyler ressaltou que as diferenças regionais são gritantes e que muitas companhias aéreas ainda lutam para conseguir receitas que cubram seus custos. Mais da metade do lucro esperado para o setor virá das empresas norte-americanas, que devem lucrar US$ 15,7 bilhões este ano, com margem de lucro de 7,5%, a maior entre as regiões, favorecidas pela recuperação da economia do país e pela valorização do dólar sobre as demais moedas. Em média, a margem de lucro das aéreas globais será de 4%, contra 2,2% em 2014.

De acordo com os dados da Iata, a América Latina sai de uma lucratividade zero em 2014 para lucro líqüido de US$ 600 milhões e margem de lucro de 1,8% neste ano, superando apenas o resultado das empresas aéreas africanas. “Oportunidades na América Latina estão sendo deixadas para trás pelas dificuldades econômicas, deficiências da capacidade aeroportuária e excesso de regulação”, disse Tyler.

A Iata não abre estimativas por país, mas as projeções para a America Latina já consideram a crise econômica no Brasil. “A recessão deve afetar a performance das companhias aéreas expostas ao mercado brasileiro. Mas temos outras economias, como o Chile e a Colômbia, que estão indo bem e devem melhorar a lucratividade da região”, afirmou o economista-chefe da Iata, Brian Pearce.

Neste ano, as empresas brasileiras estão pressionadas pela alta do dólar e pela recessão, que esfriou a demanda por viagens. “A fortuna não é a mesma para todas as companhias. O Brasil está em um momento difícil. E, de fato, o custo de operar uma companhia aérea aqui é mais alto. As taxas e impostos são entre 40% e 55% mais caras que nos demais países”, afirmou o presidente da Gol, Paulo Kakinoff. (FP/AE)

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