Demanda desacelera mesmo com tarifa menor

Valor Econômico
26/06/2015 às 05h00

Por João José Oliveira | De São Paulo

As empresas aéreas apresentaram, em maio, o menor crescimento em termos de demanda desde julho do ano passado, ao registrarem uma expansão de i,o8%, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa Gol, TAM, Azul e Avianca. Em julho de 2014, a demanda aumentou 0,58% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

“O setor está desacelerando e tem conseguido manter a expansão com descontos e abertura de novas rotas. Mas essa margem de manobra está acabando. Vamos, agora, operar em linha com o PIB”, disse o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz. As tarifas médias neste ano estão cerca de 20% abaixo das de 2014, afirmou o executivo, e os descontos se intensificaram no segmento de viagens de negócios, com cortes de preço de até 40%.

No ano, a demanda por passageiros no setor aéreo apresenta avanço de 4,17%, abaixo do crescimento de 5,4% de 2014. “O desafio do setor é fechar o ano sem retração”, afirmou Sanovicz.

Em termos de oferta, a capacidade subiu 1,53% em maio.

Apesar da demanda mais fraca do setor, a Gol ganhou participação de mercado e assumiu a liderança no setor doméstico em maio, tanto em número de pessoas embarcadas como em passageiros-quilômetros transportados (RPK, na sigla em inglês), indicador operacional mais usado para medir demanda.

Em termos de demanda, a fatia de mercado Gol cresceu para 36,87%, em maio, frente aos 35,71% de um ano antes. A da TAM diminuiu de 38,39% para 36,46%.

A Gol conseguiu capturar mais passageiros com maior flexibilidade na malha aérea, concentrando-se em destinos cuja desaceleração da demanda tem sido menos intensa. A companhia elevou a oferta em 2,20% – menos que o ganho de demanda -, obtendo uma melhor taxa de ocupação, que subiu de 75,40% para 76,95% em relação ao ano passado.

A TAM optou por uma estratégia mais conservadora, reduzindo em 2,2% a oferta.
Mas como a demanda caiu mais, a taxa de ocupação da empresa controlada pela
Latam caiu de 8o% para 78,51% frente ao ano passado.

O vice-presidente de negócios Brasil da TAM, Francisco Recabarren, disse que a empresa mantém a cautela na oferta de capacidade porque a conjuntura predominante de demanda retraída pode afetar as margens da companhia. “Olhamos não um mês, mas a operação no ano , disse.

No acumulado do ano, a Gol detém 36,73% da demanda doméstica, contra os 37,03% da TAM.

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