Viagem de avião com pets tem muitas regras e preço de passagem 'humana'

MARCELA PAES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O gato Tom Collins, da jornalista Juliana Vines, viajou da Colômbia ao Brasil

O gato Tom Collins, da jornalista Juliana Vines, viajou da Colômbia ao Brasil

Buda teve uma experiência luxuosa em sua primeira viagem de avião: foi de jatinho para Itacaré (BA).

“Eu queria levá-lo de qualquer jeito, mas as companhias fazem muitas exigências, por causa da raça dele”, diz a blogueira Gabriela Pugliesi, 30, que alugou a aeronave. Buda é um cão pitbull.

O animal driblou uma série de medidas estabelecidas para o transporte de cães e gatos por empresas aéreas –na Latam viajam mais de 4.000 animais por mês; na Gol, só nas cabines, 1.500.

Peso, idade e raça são os critérios usados para determinar se os pets podem voar na cabine com os donos, no porão ou em aviões de carga.

No Brasil, o limite de peso para o bicho ficar com o dono varia de cinco quilos a dez quilos. Cães e gatos de focinho curto passam por mais restrições: a Latam, por exemplo, só os transporta em aviões de carga. Para raças consideradas ferozes, como pitbull, as regras variam.

Segundo a veterinária Fernanda Fragata, do hospital veterinário Sena Madureira, levar animais de estimação em viagens aéreas é seguro –a não ser que os pets sejam mais velhos ou tenham doenças como insuficiência renal.

“Nesses casos, se a viagem for obrigatória, um veterinário pode prescrever um tratamento preventivo”, afirma. Ela desaconselha, no entanto, o uso de sedativos.

“É melhor acostumar o animal com o kennel [caixa de transporte] e o deslocamento antes da viagem. A sedação diminui a frequência respiratória e pode agravar problemas que surjam no voo.”

A apresentadora Astrid Fontenelle, 55, é veterana no assunto. Com milhas acumuladas com o lhasa apso Guru, que já morreu (“o pessoal da companhia até já conhecia ele”), ela se prepara para levar a maltês Bella em sua primeira viagem, para Salvador.

“Se você acostumar o cão desde cedo, ele fica quietinho”, diz. Ela só evita ir com pets em viagens internacionais, por causa da lista de exigências –que varia de acordo com o destino e pode incluir vacinas, exames e até um período de quarentena.

No Brasil, as regras são estabelecidas pelo Ministério da Agricultura. O órgão exige vacina antirrábica e atestado de saúde (cada companhia estipula o prazo de validade do exame, entre 10 e 30 dias). Para deixar o país, é necessário que o bichinho tenha um CVI (Certificado Veterinário Internacional) ou um Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos, emitidos pelo órgão.

Algumas empresas, aliás, como é o caso da Azul, vetam pets em voos internacionais.

As empresas também cobram pelo transporte –a taxa para levar pets na cabine chega a R$ 200, valor que pode equivaler ao de uma passagem “humana”.

DESVIO DE ROTA

A experiência do analista de e-commerce Eduardo Coen, 41, não foi tão tranquila. Ele, que se mudou para Israel e planejava levar seu buldogue francês e seu vira-lata, teve dificuldades antes mesmo de chegar ao aeroporto. “As regras são confusas. Um atendente disse para sedar os animais, outro se desculpou e disse que eu não deveria sedá-los”, afirma.

Coen também teve problemas com o prazo de um exame exigido por Israel e teve que embarcar sem os bichos. Agora, contratou uma empresa especializada em transporte de animais: pagará cerca de R$ 5.000 para transportar cada cachorro.

Cães-guia são liberados de alguns documentos (equipamento de guia e carteiras de identificação e vacinação bastam). Mesmo assim, problemas podem surgir.

O acadêmico Lucas de Abreu Maia, 30, deficiente visual, diz que sempre precisa explicar para as empresas que Jackie, sua cadela-guia, não precisa seguir as exigências de um pet comum. Maia já teve que adiar voos e deixar Jackie com amigos para viajar.

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As regras das empresas

ONDE O BICHINHO VIAJA

  • AVIANCA Cães e gatos viajam somente na cabine e com o limite de até 10 kg, incluindo a caixa
  • AZUL Só na cabine; o peso do animal mais a caixa de transporte não podem ultrapassar 5 kg
  • GOL Pets de até 10 kg mais a caixa podem ir junto com o dono; os de 11 kg a 30 kg vão no porão da aeronave; de peso maior, só em aviões de carga
  • LATAM O peso permitido na cabine é de até 7 kg (incluindo a caixa); no porão, até 45 kg; de peso maior, só em aviões de carga

PREÇO

  • AVIANCA R$ 200
  • AZUL R$ 200
  • GOL R$ 200 na cabine; quando o animal vai como “bagagem despachada”, no porão, é cobrada uma taxa de R$ 90, mais o peso do kennel com o animal, multiplicado pelo valor correspondente a 1% da tarifa cheia do trecho a ser voado
  • LATAM R$ 200 na cabine; no porão o valor varia conforme peso do animal mais a caixa
  • *Nenhuma companhia cobra para transportar cães-guia

IDADE MÍNIMA

  • AVIANCA Dois meses; os que têm menos de 12 semanas, de raças pequenas e mais suscetíveis à desidratação, precisam de um certificado veterinário que ateste boas condições
  • AZUL Quatro meses
  • GOL Quatro meses
  • LATAM Dois meses

RESERVA DO SERVIÇO

  • AVIANCA No mínimo duas horas de antecedência
  • AZUL Até duas horas antes
  • GOL Pelo menos três horas antes
  • LATAM Até 48 horas antes da saída do voo

MAIS

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Burocracia animal

  • Cada companhia tem suas especificações a respeito das dimensões da caixa de transporte dos animais. Checar antes é imprescindível
  • Reservas devem ser feitas com antecedência em função da limitação do número de animais nas aeronaves. Há prazos para solicitação do serviço
  • Leve a carteira de vacinação do animal e o certificado de vacinação antirrábica (aplicada no mínimo 30 dias antes), com o nome do laboratório produtor, tipo de vacina e o número da vacina/ampola utilizada
  • Tenha em mãos um atestado de saúde emitido pelo veterinário. Cada companhia estabelece seu prazo de validade para o exame
  • Algumas companhias exigem que passageiros acompanhados de animais sentem-se na poltrona da janela

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Pronto para voar

  • Acostume o animal com a caixa de transporte em que ele vai viajar. Coloque-o no kennel em passeios de carro e na hora de dormir por no mínimo um mês antes da viagem
  • Dê comida pelo menos uma hora antes de sair de casa. Não é bom que o pet fique com o estômago cheio. Se a viagem for longa, melhor que a alimentação seja concentrada, como em pastas suplementares
  • Não despache o animal muito tempo antes da hora de saída do voo. Espere o horário limite
  • Se o deslocamento for longo, vale a pena ensinar ao bichinho beber em bebedouros automáticos. No espaço reduzido os cães costumam derrubar as vasilhas com água
  • Um brinquedo ou pedaço de tecido ou roupa com o cheiro do dono ajuda a acalmar
  • Acostume o pet aos possíveis ruídos do deslocamento. Para gatos, que se assustam mais fácil, pode-se utilizar protetores de ouvido moldáveis
  • Evite viagens em períodos muito quentes. O risco de desidratação, um dos principais problemas com animais em aviões, aumenta
  • Esteja ciente de possíveis doenças que o pet tenha e que possam criar dificuldades durante o voo
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